sábado, 9 de junho de 2012

A voz do povo

Ouço a voz do povo, sábio enquanto pobre,
Roto enquanto nobre, conservador e novo...
Fala dos seus mitos, dos seus dolorosos gritos
E, enquanto desfila a imagem dos combates ardorosos,
Vejo nascer, nas figuras famosas, nossas lendas...
Fala das vendas, das fazendas, da trincheira,
Do negro, escravo, africano, que jogava capoeira,
Do português tão branco, tão bravo, tão desumano,
Do amarelo, o índio, ontem dono, hoje não tem voz nem vez...
Fala das guerras, das terras selvagens, de sertão,
E, ao mesmo tempo, grita a arte, a canção e a poesia
Pois esse povo faz e fez da alegria e da tristeza
Motivo de decoração, de verso, de estrofe e melodia...
Fala da natureza, dos animais às flores,
De tantas cores que pintam nosso chão e nosso céu,
Do mel  que adoça a boca cheia da mulata,
Do ouro e da prata que enfeitam o corpo da brasileira...
Fala da bandeira, do amor que ela representa,
Desta nação tão dependente e, ao mesmo tempo, soberana,
Da cana, do café, do cacau e da madeira,
Do pau-brasil que deu nome ao que o país hoje é...
Fala do faminto, do ricaço, do patrão e do empregado,
Da desigualdade que separa as gentes, que desata o laço,
Do preconceito grande de cor, de amor, de idade, credo ou raça,
Da cidadania perdida, da sonolência da massa...
Da violência, da fome e de tudo o mais
Fala a voz do povo.  E o povo...  O que faz?

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