sexta-feira, 8 de junho de 2012

Você tem fome de quê?

   A quem dá de comer a poesia?  Quem pleiteia por palavras em meio à mendicância que impera?  Diante dos miseráveis, o que gera um verso tem importância?  Qual é o papel de uma rima, sendo pobre ou rica, se há gente que a vê e não a lê?
   Tantas fomes diferentes, tantos os que pedem...  Pão, trabalho, amor, teto, agasalho.  E a poesia, a quem sacia?  Apenas àquele cujas letras codifica, numa educação formal?  Ou, na "escola da vida", a real poesia pode ser sentida?
   Disse Ferreira, com propriedade, que o poema "não fede, nem cheira"...  É verdade.  "Não há vagas" para estrofes ou quadrinhas.  Linhas se perdem nas sarjetas, viram lixo; de gorjetas é que vive "O bicho", não de letras...
   A "Poética" brasileira está farta!  Lirismo, só o que é Bandeira de libertação!  "O operário em construção", sofrido, deve ser ouvido...  Seus pesares, seus ais...  E Moraes o reconhece: "casa, cidade, nação", erguidas poe este cidadão...  Que nada tem, e tudo merece!
   É preciso repartir melhor não só o pão nosso de cada dia, mas também a poesia!  Dividir com o menos favorecido um poema lido, onde ele se veja refletido!  Oferecer um pouco mais que comida pode mudar os rumos de uma vida, e da história!
   Glória seria transformar o pedinte em ouvinte de Drummond, o necessitado em fã de Machado de Assis...  Em todas as ruas do país, Quintana para meninos e meninas!  Banhos de "Espumas Flutuantes" em cada chafariz!
   Escrever-se-á, assim, um capítulo novo da "História Pátria"; aquele que está por vir, além destes tempos de indigência, onde "Mãos dadas" compartilham mais que a realidade dura; onde a literatura, com seus versos pueris, combate a fonte mais pura do mal que assola nossos irmãos, hoje servis: a negligência!

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