sexta-feira, 8 de junho de 2012

Palavras

Ah!  Essas palavras!
São elas que deságuam, que pingam do meu rosto nas horas de maior desgosto, num rio grande de emoção!
São elas que transbordam deste meu coração, ora cansado de sofrer, ora feliz sem ter por que, dolorido, apaixonado, amargurado, colorido!
São elas que se imprimem pelas folhas, pelas linhas, formando paisagens do meu eu, fotografias tão perfeitas, e tão minhas!
Ah!  As palavras!
Vilãs cruéis, que contam a todos a verdadeira natureza do meu ser; as minhas vidas duplas, triplas, loucas; o meu teatro, em que me cabem mil papéis!
Ah!  Palavras!
Por que sempre funcionam melhor que meu espelho?
Por que nelas não consigo disfarçar o vulto velho e triste que habita o lado oculto da minha alma?
Por que com elas eu perco a calma, extravaso o grito, desato o laço, desmancho qualquer mito?
Ah!
Quisera eu escrever muito, mais e amiúde
Para que aqueles que tivessem em meu sangue sua raiz
Pudessem ler sobre tudo o que eu quis e fiz
E soubessem que fui muito feliz
Por ter amado mais que um dia, mais do que pude, mais do que devia...

Nenhum comentário:

Postar um comentário