quarta-feira, 30 de junho de 2010

Resgate

Resgatando o tempo em que eu via o seu sorriso
Brilhando, enquanto a mão tão levemente me tocava...
Assisto a cena e, como num filme velho de cinema,
Me emociono novamente, e lá se vai o meu juízo!
Resgatando o tempo em que meu corpo o chamava
E vinha a sua alma responder ao meu apelo...
Só de vê-lo, corria o coração ao seu encontro
E, no escuro dos seus olhos, fascinada, eu mergulhava!
Resgatando o tempo em que a chama se acendia
Ao menor toque, deixando quente o corpo, que era um só...
Nos amarrando, pele a pele, num nó de velho marinheiro
Unindo o cheiro, o cabelo, a sombra, na madrugada fria.
Resgatando o tempo em que não havia tanta dor
E a felicidade se estampava, feito um cartão de visitante.
Diante de mim, apenas seu sorriso era o caminho
Onde eu faria um ninho, e repousaria eternamente o meu amor...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Esperança

Vai, Brasil!
Nesse céu de anil
Brilha mais que o sol
Mostra o futebol
Com a bola no pé
Que bonito é
Ver você ganhar
Mais um no placar
O meu coração
Grita "Campeão!"
Espera esta vez
Festejar o seis
Sou verde e amarelo
Da corrente, um elo
Torcida da raça
Pede pela taça
Brilha até o final
Deste Mundial
Pra dizer de novo
Deu Brasil, meu povo!!!


domingo, 27 de junho de 2010

O que somos? (2º lugar - SMC/VR - 2000)

Você é...
Meu fora do sério, meu riso notório
Meu cair da tarde, minha madrugada
Meu retrato velho, minha chama que arde
Meu suado espólio, minha alma cansada.

Eu sou...
Sua amiga ouvinte, seu ombro disponível
Seu beijo mais quente, sua face dura
Sua afronta e acinte, sua mão tão rente
Seu nervo sensível, sua boca madura.

Nós somos...
Nossas muitas horas, nossos desvarios
Nossos sonhos loucos, nossos descaminhos
Nossas próprias escoras, nossos gritos roucos
Nossos mares bravios, nossos redemoinhos...

terça-feira, 22 de junho de 2010

O segredo da gente

Se um dia você conseguir repartir
Todo o peso que leva sozinho, a dúvida, o medo
Pode contar comigo. O segredo da gente
Vai ser misturar a pele quente e o ombro amigo.
Se um dia você conseguir permitir
Que eu escolha sofrer com você a tristeza e as dores do mundo
Vou estar sempre perto. O mistério - que é nosso -
Vai ser encarar o fundo do poço e as cores da vida.
Se um dia você conseguir descobrir
O sentido de estar aqui, neste lugar, em viva voz
Ficarei mais em paz. A surpresa de nós
Vai ser combinar tudo mais que vier com aquilo que já é certeza.

domingo, 20 de junho de 2010

O que eu sei

Se amei, não sei...
Só sei que agora o seu olhar
É chama impossível de apagar
É água que invade o meu cais
É um corpo querendo o outro, mais...

Se amei, não sei...
Só sei que você entrou em mim
Com pele macia, de cetim
Com olhos vidrados de paixão
Com mãos entrelaçadas na explosão...

Se amei, não sei...
Só sei que me sinto mais feliz
Por ter encontrado o que eu quis
Por ver que você me viu também
Por ser o seu par, por ser seu bem...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Frio

O frio me gela a alma, me tira o brilho
Me faz parar a vida, enquanto o mundo gira
Me traz dormência até a ponta dos dedos
Me esconde até dos que eu tenho em alta conta...
O frio me afasta de tudo, até de mim
Me encolhe num vazio, me esgota a mente
Me disfarça em outro ser, que ninguém nota
Me apaga e eu hiberno, sem adormecer,
Até a Primavera encerrar mais um inverno...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Summer Dream

I opened my draw, in a shining morning
And your face I saw, like a bright sun...
When you looked me, with your lips smiling
Oh, so cruel doubt: kiss you or run?

I didn't know your words, I didn't know your voice
But I wanted your body near of my hands
So, a great light and a lover's noise
And we went, together, to distant lands...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pátria de chuteiras...

Brasil
Calce as chuteiras com cuidado
Hoje é quase feriado nacional
E o meu coração já não aguenta...
Somos penta, mas queremos mais!
Traz nossa sorte na ponta do pé
Dança seu balé e dribla o beque
Põe em xeque qualquer opinião
Manda ver, seleção!!!
Brasil
Beija o lindo escudo auriverde
Mata a sede dessa gente boa
De presente, taça na bagagem
Na viagem de volta à Mãe Gentil
Pátria Amada, BRASIL!!!




segunda-feira, 14 de junho de 2010

(Re) Caída

Meu Deus, como você ainda me perturba!
E eu, tola, pensando que o coração tinha esquecido
Que eu havia banido o seu sorriso da minha vida
Que essa paixão bandida já havia se perdido...

Meu Deus, como você ainda me enlouquece!
E eu, ingênua, pensando que seu corpo não me aquece mais
Que eu alcancei a paz que a minha alma merece
Que o seu cheiro não invadiria outra vez a minha calma...

Meu Deus, como você ainda me sufoca!
E eu, atônita, compreendo que o seu olhar macio é que me guia
Que eu sonho com sua pele quente, que me toca
Que eu quero você pra mim a cada hora do meu dia...

domingo, 13 de junho de 2010

Devaneio

A tua falta dói na minha carne:
É vermelha, sinal de alerta no meu peito!
Desfeito o sonho de ser teu par a vida inteira
Contemplo, triste, a barreira que ergueste em teu olhar...
O meu sorriso, tão vazio, te relembra:
Foge a alma do meu corpo, e eu viajo nesse rio
De passado. Enquanto isso, o silêncio me acalma
E vejo, nítido, o teu corpo ao meu lado...
Maravilhosamente rara é a delícia que eu provo,
Porque ainda sinto o teu gosto em minha mente.
Posto que, se o amor negar, eu minto
Vou navegar, então, na embriaguez deste torpor...

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados

Namorar... O amor no ar...
Amar a mesma cor, a mesma flor, a mesma dor, doar...
Na mor arte de fazer, do amor, o ar de respirar...
Morar na história de outro ser, e em outra vida ver a sua entrar, se misturar, se demorar...
Amar na morte, na sorte, no sul e no norte, tudo é o mesmo amar...
Na morada secreta que há no fundo de cada peito, de todo jeito há jeito de se dar...
Amora doce, de vez, a sua tez, por quem esqueço as leis, só obedeço ao seu olhar...
Orar no amor, no calor, na hora de partir, na hora de voltar...
É amor, é amar,
É vontade, sem idade, de ver felicidade e, de verdade,
Namorar...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Invisível

Você escreve, lê... E nem me vê.
Por quê?
Eu vou passando assim, despercebida,
A minha ida não lhe diz nada
E cada momento da minha vida
Passa junto comigo, dessa forma calada, dolorida...
Não sei se há saudade, se há felicidade.
Sei do prazer de tocar seu corpo, de deitar no seu peito
Sei do jeito de amar você de madrugada, a qualquer hora
E da dor de ver o seu olhar vazio indo embora...
Você olha para a tv... E nem me vê.
Por quê?
Eu vou ficando assim, perdida,
Não sei se beijo a sua pele bem morena
Ou se engulo o meu desejo, e deixo a cena sem ruído
Levando o meu amor proibido para além da sua chama
Antes que eu me deite novamente em sua cama e, com ardor,
Me permita alguns instantes breves de alegria
Para depois, sozinha, viver a agonia de não saber o meu real valor...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Primeiro baile

Adivinhei o verde dos seus olhos, me deparei com eles
Meu sorriso amarelo ficando, o rubor me invadindo
Baixei a cabeça, a face, vermelha romã...
Tornei a buscar esses verdes, que já não me olhavam nos olhos
Mas sim mergulhavam
Na profundidade, no contorno, na seda do meu decote...
Queimava, o corpo suava, tremia
As mãos arredias, ariscas, brincavam sem jeito, esfriavam
E, então, a música...
Ao longe, mais perto, o aceno, incerto convite
Enlaçando a cintura e as mãos, os braços, os olhos baixos
Um murmúrio, palavras, tolices, perguntas vãs
"Já tens quantas primaveras?" Penso nos amanhãs...
Seguindo a cadência, a malemolência
Do ritmo, do corpo me embalando, abalando.
O que era dança, agora é abraço gostoso
Morno, quente, calor humano, de gente
Que, bailando, na vida, aprende a dançar
Conforme a dor, o amor, o sentimento, o momento
Conforme a música...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Solidão

Já não creio mais na linda ilusão
De que meu rosto ainda verá o teu...
Se tal desgosto assola um coração,
Cessa a batida, e o lume feneceu!

Banida foi a alma deste plano,
Levou consigo um sopro de saudade...
Restou o corpo, neste mundo insano,
Destituído de felicidade...

Casca vazia, não tenho esperança
De renascer das cinzas desta dor,
Ainda que voltasse a ser criança!

Suplico a Deus, meu Mestre e meu Senhor,
Que encerre em mim apenas a lembrança
De quando era só meu o teu amor...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Responda...

De que me servem as palavras e as frases, se não há coragem para dizê-las?
De que me servem as ideias e as memórias, se não há ninguém para absorvê-las?
De que me servem as promessas e as juras, se não há confiança em que eu vá mantê-las?
De que me servem as emoções e as sensações, se não há certeza de que irei vivê-las?
De que me servem as decisões a as atitudes, se não há compreensão para entendê-las?
De que me servem as lembranças e as histórias, se não há capacidade para esquecê-las?
De que me servem as virtudes e as esperanças, se não há sutileza para percebê-las?
De que me servem as mudanças e as transformações, se não há esforço para reconhecê-las?
De que me servem as luzes e as doces alegrias, se não há sorriso para acendê-las?
De que me servem as noites e as muitas horas, se não há vontade de olhar estrelas?

domingo, 6 de junho de 2010

Doce saudade (2º lugar - SME/VR - 2002)

Quem disse que a saudade é doce, não conhece o gosto
Salgado das lágrimas que pelo rosto correm, solitárias
Amargo das decepções que enchem a mente, várias
Acre das dores que vão no peito. Párias
São aqueles que tomam por mel este azedume
Que tira o lume dos olhares, que separa os pares,
Que escurece as cores, que adormece os amores...

Quem disse que a saudade é doce, enganou-se!
Ela dói, feito uma ferida aberta, não tem cura
Ela destrói, feito o tempo, vagaroso, na clausura
Ela corrói, feito ácido na pele, e desfigura
O sorriso que dançava no semblante
O corpo do amante, que vibrava
O sonho que, adiante, vislumbrava
A tal felicidade, a todo instante...

Quem disse que a saudade é doce, beba
Do seu próprio veneno uma taça! Só assim
Verá como o mundo torna-se pequeno
E como a vida, sem o outro, perde a graça...

sábado, 5 de junho de 2010

Seu dia

Em seu dia, lhe desejo vitórias,
Para que, ao contar suas histórias, você se lembre
Das risadas, das mancadas, das atitudes certas e erradas...
Em seu dia, lhe desejo juízo
Para que, ao buscar o que é preciso, você pense
Nas consequências, nas vivências, nas boas e más experiências...
Em seu dia, lhe desejo sorte,
Para que, ao seguir para o Norte, você reflita
Sobre o seu caminho, sobre seu ninho, sobre nunca estar sozinho...
Em seu dia, lhe desejo paz,
Para que, ao querer um pouco mais, você entenda
Quem nada tem, quem vive sem, quem perdeu seu bem...
Em seu dia, lhe desejo sucesso,
Para que, ao ser tentado pelo excesso, você lute
Contra a ambição, contra o som do não, contra ser só razão...
Em seu dia, lhe desejo felicidade,
Para que, ao contar sua idade, você possa
Deixar para trás a dor, o rancor, e colher muito amor...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cantiga de roda

Você faz e acontece no meu mundo
Vai lá no fundo e traz à tona a minha herança
Solta a criança e a mulher, a dama e a pura
Jura que me ama, e eu faço minha a sua dança...
Na cama, na rua, na memória, o seu abraço
E a minha história se confunde e se enlaça com a sua.
Passa o tempo, e infunde no meu peito o medo doce
De me perder desse seu jeito. Quem dera ainda fosse cedo...
Quimera é ser somente de um alguém. Ilusão linda
Que brota em cada coração que vive cenas de amor.
A dor, calada, é o que restou de tudo que eu tive
E o sonho, mudo, ficou tão amargo, e se acabou...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Revelação (Soneto Alexandrino II)

No começo era vinho, doce e quente:
Embalar meu amor no seu sorriso,
Beber, gota a gota, o mel ardente,
Perder completamente o juízo...

O tempo foi passando, e o que era doce
Se revelou amargo, mero fel.
A dor me perseguia aonde eu fosse,
Rasgando o coração, frágil papel...

Rôta, cambaleei pelo caminho,
Ainda tonta com a verdade dura
Plantada em minha vida como espinho!

Mas, revelar-me a sua face escura,
Me deu a chance de fazer meu ninho
Noutro lugar, de afeição mais pura...

terça-feira, 1 de junho de 2010

No olho do furacão

O sol voltou, mas as nuvens carregadas permanecem no horizonte
Num cinza que me envolve, turva minha vista, me sufoca
Toca minh'alma como um Midas ao reverso, plúmbeo, triste
Traz tempestade! E a calma não resiste, é tragada para o fundo do oceano
Onde, imerso, jaz também meu coração - insano, vítima das dores deste mundo...
Cores escuras levam minha paz num turbilhão de sentimentos:
Momentos de felicidade e de angústia se confundem, giram num vórtice sem fim...
Dentro de mim, o furacão! Rasga as entranhas, sobe à garganta,
Se agiganta à sombra da desconfiança, com a dúvida que paira...
Destroça, em seu redemoinho, a esperança de viver um grande amor, perfeito
Arruinando, no meu peito, o sonho de não ser mais tão sozinho...