segunda-feira, 31 de maio de 2010

O vento

Um vento frio corta minha alma rente, e me chama
A andar pela noite, a deixar minha cama, minha calma
E apreciar os sons, os sins, os sãos, os nãos
Que rolam pela madrugada adentro, e que transformam
O que, a princípio, é escuridão e frio
Em hora de cantar, de olhar, de amar...
O vento assobia o convite em meu cabelo, e o apelo
De tão galante companhia me conduz às ruas, meio nuas,
Às lembranças suas, luz errante que me guia
Entre esquinas, descaminhos, vinhos, esperanças...
Você nunca me deixa, e o vento então se queixa
De levar só meu corpo através da cidade
Porque ele sabe da verdade: em qualquer momento
Meu coração só a você pertence e, se meu corpo não for suficiente,
Ele que não tente roubar do dono o meu espírito, agora nosso.
Eu posso permitir que ele leve a matéria que há em mim por toda a Terra
Mas a guerra ele não vence: em minha mente fica, etérea, a sua imagem, até o fim...

domingo, 30 de maio de 2010

Domingos

Domingos vêm e vão, nessa sequência,
Trazendo início e fim, e a experiência
De (re)começar a vida de incertezas,
De trabalho, de rotina, de fraquezas...

Aos domingos, antecipa-se a fadiga
Da semana. Mas é ela quem abriga
As surpresas do que ainda está por vir,
As belezas de ficar e de partir...

Bendito seja o domingo, que anuncia
A hora de tomar as rédeas do destino
E fazer diferente da monotonia!

Deixo que o adulto volte a ser menino
E aproveito bem cada hora do meu dia
Para fazer real o sonho que imagino...

sábado, 29 de maio de 2010

A Pena e o Nanquim - Um soneto alexandrino (2º lugar - SMC/VR / Menção Honrosa em Amora - Portugal)

Mergulho em tua alma, doce tinta escura,
E, com um nanquim de rica essência, te traço.
Na imagem, veo a cor que à tela se mistura:
Da tinta, imortal retrato teu eu faço.

Imito a pena, fina e ágil companheira,
Que desenha a face do objeto de desejo,
Escreve em poesia a afeição primeira,
Registra a emoção daquele último beijo...

Unidos pela arte, a pena e o nanquim
Deixam marcada no papel tua lembrança,
Pedaço de um amor que julgo não ter fim.

Guardo junto a ti, na moldura, a esperança
De um dia o teu sorriso abrir-se para mim
E me embalar, então, nessa ilusão tão mansa!...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Vida

Tão breve é a vida. Se a mesma fosse leve
Seria como suspiro doce, pétala branca, ar que respiro...
Mas ela nos pesa, e seu peso é fardo para todo aquele que por ela passa
Que amassa e assa a massa colorida que chamamos de vida
E que faça, assim, de uma disforme confusão de fatos e criações
Uma obra de arte, estandarte da paixão, das emoções, dos loucos e sábios atos...
E é esse mesmo homem que carrega nos ombros a responsabilidade de sua existência
Que assume sua carência, e se entrega
Que transforma sua verdade, e assim chega ao cume
É esse homem que nos mostra ser a vida um dom recebido apenas por aquele que merece
Aquele que tece com seus fios o destino que almeja
Aquele que cresce com seus feitos para alcançar tudo aquilo que deseja
Aquele que floresce com sua própria luz, iluminando outras vidas, onde quer que esteja...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mentiras

É mentira que eu quero você!
Para que eu vou querer um beijo quente,
um abraço forte,
um desejo louco?
Para que um sorriso envolvente,
um olhar de sorte,
um sussurro rouco?
Eu não quero você. É tudo mentira!
Eu só quero o ar que você respira
Eu só quero o fôlego que você me tira
Eu só quero o mundo em que você gira...
Você, não!
Você é presságio de solidão
é risco certo de ilusão
é perigo para o meu coração...
Mas se eu não fugir, pode ser que eu queira
Ser a sua amante, a sua companheira
Ver você por perto, a minha vida inteira
Ter seu corpo e alma, de qualquer maneira!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Meia-noite

É quase meia-noite... E tudo o que desejo é o seu abraço
É me perder nesse espaço tão macio que, sem dúvida, era meu
É buscar pelo seu beijo e preencher o meu vazio, sem medo de ser feliz
É provar o mel que eu tanto quis, e no seu mundo mergulhar...

É meia-noite... E sinto sua pele na ponta dos meus dedos
Me livro dos segredos, ouço os seus temores, fico tonta
Me deixo levar pelas lembranças dos amigos, dos amores, dos momentos
Me abandono nesse turbilhão de sentimentos, hoje raros e antigos...

É mais de meia-noite... E o sono vem se encontrar no meu cansaço
Eu durmo em paz, sabendo que o laço foi refeito
Eu sei o quão perfeito é estar, agora, do seu lado
Eu aguardo. Quem faz a hora certa é o coração...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Amigo

Amigo é coisa pra levar nos olhos, pra sonhar comigo, pra falar de vida nossa...
Amigo é coisa pra dizer saudade, pra sentir a ida, pra servir de abrigo...
Amigo é coisa pra sair da fossa, pra ouvir "Te ligo!", pra não ter idade...
Amigo é coisa pra buscar bem longe, pra hora dolorida, pra brigar (e por quem eu brigo)...
Amigo é coisa pra contar o amor, pra trazer a sorte, pra caminhar (e eu sigo)...
Amigo é coisa pra sul e pra norte, pra afirmar "Estou contigo!", pra chorar a dor...
Amigo é coisa pra se guardar no peito,
Pra me lembrar quando deito,
Pra saber o que de mim é feito,
Pra gostar de todo e qualquer jeito...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Morte

Grito, mas já não escutas minha voz...
Não existe mais "nós", e assim vais:
Sem "ais", sem "byes", e fico eu - sem paz...

Peço, mas já não sentes minha dor...
Não existe mais amor, e assim somes:
Sem nomes, sem que, outra vez, me acaricies e me domes...

Choro, mas já não notas meu assombro...
Não existe mais ombro, e assim caminhas:
Sem o que tinhas, sem poder ver as lágrimas minhas...

Morro, mas já não percebes minha ida...
Não existe mais vida, e assim voas:
Sem que em mim doas, sem que eu esqueça tantas coisas boas!...

domingo, 23 de maio de 2010

Cuida da poesia

Cuida da poesia. Na infância
Ser criança é ser cantiga, verso, rima ou prosa.
Estudiosa ou não, criança é talentosa!
Diz, na palavra escrita, a vida: a dor e o riso,
O vinho e o pão, a bola e a boneca, o céu e o chão...
Cuida da poesia. Na escola
A criança passa pro papel sua verdade
E é de responsabilidade de quem lê e corrige
Descortinar o dom, descobrir o artista novo!
Aquele que exige e que ensina a ler
Faz florescer a voz do povo no caderno do menino e da menina...
Cuida da poesia. Não esqueça
Que a frase é bênção, é desabafo em toda a idade.
Fazer poesia é deixar o coração falar, e pela mão
Registrar felicidade e mágoa no branco de uma folha
Pingar, letra por letra, feito bolha de sabão, formando a história
De um mundo mais poeta,
mais sensível, mais irmão.

sábado, 22 de maio de 2010

Castelo de Areia

Aguardo, a cada instante, o teu regresso,
A hora de deitares no meu leito...
O céu azul se ri do que eu peço
Pois sabe, antes de mim, que és imperfeito...

O dia passa, a noite segue em frente
E o teu vulto eu vejo em pensamento.
Deliro então, e a febre me faz quente
De desejo e de dor num só momento!

Mas a espera que ilude, cansa
Cai o castelo do meu coração,
Deixando em meu viver só a lembrança...

Enfrento, firme, esta revelação!
Descortinando o véu da esperança,
Voo, de asas livres, na amplidão...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Mudanças

No meu caminho, mais uma vez, o encontro
Minha tez fica branca, roxa, vermelho-maçã
Esqueço a dor que virá amanhã, com toda certeza
E só vejo o seu sorriso, luz acesa na minha noite tão escura!
Não quero, nessa hora, a verdade nua e crua
Desejo apenas ser sua, outra vez, mais uma vez
Na solidez do seu abraço afastar a solidão que me devora
E me fingir de escora pra esse corpo seu, que eu achava meu há tanto tempo atrás...
Afago os seus cabelos, seco a lágrima teimosa no seu ombro
E vejo, com assombro, que você já não é mais como era antes.
Aquele que foi, dos amantes, o fogo mais intenso
dos amigos, o companheiro mais seguro
dos namorados, o sentimento mais profundo
Hoje jaz no meu olhar tão apagado
no meu peito duro e frio
no meu mundo tão vazio...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Celebração

Celebro a vida hoje, e a cada instante
Celebro o amor nos braços do amante que escolhi
Celebro o caminho, tomando o vinho, porque venci, e a vitória é doce
Celebro a glória de recomeçar tudo, mais uma vez...
Celebro a sua pele, a sua tez, o seu sorriso, que o céu me trouxe
Celebro a festa que é ter você, que me é preciso, que eu amo tanto...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Viagens

Vento na janela, no cabelo, no ouvido assobiando...
Ela, com saudade, de cidade em cidade vai passando
E, olhando da janela, a vida que corre, que escorre
Entre o tempo e o vento das cidades,
Ela enxerga as verdades, à distância
No verde que cresce rente à janela,
Na água que reflete o sol pela janela,
Na luz que embaralha a vista da janela.
Sozinha, ela (o vento que assobia)
Vai descobrindo na paisagem quente
A canção corrente do vento, saudosa e fria,
Tão igual ao coração dela, alma vazia...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Insone

Semidesperta, vazia, oca de vontades ou anseios
Transito na confusão de minha mente entorpecida.
O sono, agora inimigo, tira-me lentamente a vida
Que antes pulsava, perdida em doces devaneios...

As horas passam... Recordo, cena a cena, a despedida
Sem lágrimas, sem adeus. Invadem-me suores e receios.
Palpita, descompassado, o coração! Mas não há meios
De abrandar as dores, de serenar a minha alma ressentida.

Longe de mim a ilusão de acreditar em galanteios!
Desejo só apaziguar a turbulência pela qual fui invadida,
Cuidar de minha essência, e encontrar nos amigos meus esteios...

Assim, ao recuperar a imagem do espelho onde me vejo distorcida,
Poderei, novamente, entregar-me à sedução dos olhares mais alheios
Brindando à nova chance de ser feliz, que a mim foi concedida!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Noite (I)

A noite cai...
E com ela vão ruindo todos os castelos meus,
Que construí de sonhos, de nuvens, de esperanças
Que edifiquei por tanto tempo em cima de lembranças
De tudo o que vivemos até dizer adeus...
A noite vem...
E com ela vão chegando todos os fantasmas ao meu lado,
Que esperam que eu me entregue à loucura, ao desespero
Que eu desista de buscar uma forma nova, pura
De ser feliz, depois de tudo, depois de tanto ter amado...
A noite chega...
E com ela vão aparecendo estrelas na linha do horizonte,
Que lá sempre estiveram, mesmo quando eu não as via
Que agora são minha companhia, e que me mostram o caminho
De viver, intensamente, a procura pela alegria dessa vida,
Que é água fresca e fria, que brota de uma fonte escondida...

domingo, 16 de maio de 2010

Quem vai saber? (Tributo ao seu aniversário)

Quem vai saber das poesias,
Das noites (cheias ou vazias),
Das tristezas, das poucas alegrias?
Quem vai saber da indecisão,
Da dor que chega e rasga o coração,
Da dúvida: agora é sim ou não?
Quem vai saber do medo,
Do tão bem guardado segredo,
Dos males que vieram tão cedo?
Quem vai saber do amor,
Daquele que acende o calor,
De cada som, de cada tom da cor?
Quem vai saber de tudo isso é o amigo,
É quem conforta e oferece abrigo,
É alguém nunca ausente, que está sempre comigo,
É de quem eu falo agora, por quem eu brigo,
É "Feliz aniversário!" que nesta hora eu digo...

(Para Maria Inês, em 05/04/94)

sábado, 15 de maio de 2010

Tempo Perdido

Frio da noite, envolve num abraço
Meu corpo, já cansado da batalha...
Água morna, toalha, laço no roupão
O torpor me invade, o sono vem, pesado...

Madrugada de sonhos, sejam bons ou não,
Cérebro ligado, (in)consciência alerta
Desperta a mente, quando a experiência
Chega ao limite, inevitavelmente...

Minutos se passam, ponteiros avançam
Pela trilha infinita do tempo, que segue...
E, embora eu carregue uma dúvida atroz,
Ouço a voz, na manhã, que me grita: "É hora!"

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Seu Legado (2º lugar - SESC/BM - 1997)

Sua língua afiada é que me corta
Seu olhar tão gelado é que me espreita
Sua boca maldita é que me nota
Sua mão caçadora é que me deita
No seu colo é que eu durmo a noite inteira
Na sua pele é que eu suo e me sacio
No seu pêlo é que eu vago, feito em rio
No seu braço é que eu faço minha esteira
Minha voz só responde ao seu chamado
Minha fé só acredita em sua crença
Minha cura só espera a sua doença
Meu poema só resume o seu legado
Nesta casa vive a dor que me consome
Neste verso canta o dom da poesia
Nesta vida vai-se embora a alegria
Nesta estrada foge o vulto do meu homem...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cartas marcadas

Cartas na mesa, espalhadas...
Em cada naipe, realidades se apresentam, diferentes:
Cores, valores, identidades. Marcadas
Ora pelo desejo de que uma delas apareça, como que por encanto
E salve o nosso jogo, já entregue, já perdido;
Ora querendo que se escondam pelas pilhas
Sem que a vitória chegue a quem menos desejamos,
Apagando o fogo, trazendo o pranto do vencido...

Figuras nobres: reis, damas e valetes
Circulam pelas mãos dos jogadores, como o sangue em suas veias
Sejam eles pobres, ricos, velhos, novos, feios ou bonitos.
Não há regras no prazer do carteado. Apenas meios
De ganhar, de chegar ao fim com um sorriso vencedor no rosto
Provando o gosto doce de ser o melhor por um instante,
Esquecendo o amargor da vida em uma carta, que lhe trouxe
A glória inesperada, o sonho adormecido, a vontade de ir avante
Alcançando, assim, a estrela desejada...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Coragem

Confie na água do fundo do poço
Aguarde a luz que vem no fim do túnel escuro
Espere o vento que sopra a nuvem de chuva para longe
E que vai dissipar tormentas e tempestades
Busque entender o que dizem os espinhos das flores
Saiba escolher, entre as setas da encruzilhada, o caminho melhor a seguir
Deixe que a calma tome as rédeas dos seus atos
Prossiga na trilha da mata fechada, há uma clareira à frente
Não chore, não lamente, não se desespere
A vida é um dom, mas também uma prova
E só são vencedores aqueles que portam a fé como seu estandarte
Aqueles que crêem na paz, na arte, na esperança nova...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Teu Retrato

A luz espoca; o brilho então clareia
Os olhos e a tez do meu amado.
Meu coração, neste momento, anseia
Por ver o teu sorriso eternizado...

Queria que o filme me mostrasse
Mistérios que não pude desvendar.
Mesmo estando contigo, face a face,
Vislumbro um segredo em teu olhar...

Da sala escura, surge o teu retrato
- cópia perfeita do teu lindo rosto -
E te amar já não é sonho: é fato!

Provo, feliz, do sentimento, o gosto
E o teu amor descubro neste ato,
Nitidamente revelado e exposto!...

domingo, 9 de maio de 2010

Mãe

Dedicação, do modo mais profundo,
A quem trouxe ao mundo, com sublime amor...
Inspiração para toda a poesia
Luz do meu dia, bálsamo na dor...
Vida de espinhos, rosas e esperança
A cuidar da criança, mesmo quando mulher...

Abraçando-a hoje, sentimentos emersos
Mostro neste "De versos", de tão bons momentos...
Orgulho-me de sua raiz em meu coração
Rogo a Deus pelo seu caminhar, tão feliz...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tenacidade

Velo todas as noites pelo amor que lhe devoto
Mas sei o quão remoto é o meu sonho... Então, apelo
E, para ver seu rosto risonho, atrevido e inconstante
Sou capaz, neste instante, de qualquer ato sem sentido:
Mato aquele que disser que somos muito diferentes
Agrido os oponentes, da forma que melhor me convier...

Quero ganhar o meu troféu a qualquer custo
E me assusto ao transitar entre o inferno e o céu
Na intenção de receber um beijo verdadeiro e terno...
Sou capaz, neste momento, de enfrentar o mundo inteiro:
Encaro o receio mais profundo de perder o meu amado
Busco um meio de tê-lo ao meu lado, enquanto viver...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sombras

Sombrios, vazios, vadios
São esses meus dias que passam
Sentindo e sofrendo sua falta
Sombras no quarto fechado
Suspiros que se escutam, fantasmas
Sobras do amor que se foi
Sonhos de volta, regresso
Só. Paredes, quadros, retratos o invocam
Seguem seus passos, seus laços
Sóbria manhã de verão
Sigo caminhos, redemoinhos
Sopram na minha cabeça
Sou fui, serei, não esqueço
Ser de nuances e cores suaves
Sonetos e poesias, versos
Sonoros, tranquilos, imensos
Sutis, sensíveis, intensos
Silêncio, incômoda ausência
Sólida, certa lembrança
Sossego o espírito, danço
Sinfonias de vozes e ruídos
Sofrimentos, valores perdidos
Sem você, sem graça,
Sem... Por quê???

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Jogo Feito

Pra que apostar tão alto nesse sonho?
O risco existe, não há como fugir ou evitar.
Desilusões, decepções, vão estar sempre presentes
Mas a vontade de ganhar supera a dor.
O medo grita, o "Não!" irrita, o sangue ferve, quente...
Não há prudência nem decência. No amor
O jogo é de azar.
Se sua sorte durou mais do que esperava
A qualquer hora brilha a estrela de outro alguém, noutro lugar.
A decisão fica pendente entre dois lados:
Ou jogo limpo, sou honesta, vou à luta com meus meios
Ou sopro areia, conto as cartas, marco os dados viciados.
Pra ganhá-lo não tenho regras, não passo a vez...
Como cigana, esqueço as leis, junto meus ases,
Roubo você da vida, depois com ela faço as pazes
E comemoro a vitória criminosa e garantida!...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Tudo de bom...

Meu coração lhe diz: "Bom dia!"
Mel do meu dia, me toca, entrega a melodia
Em Sol maior, que me carrega até o céu...

Muda-se o tom, e o som me desconcerta
Aberta a porta, ouço uma nota de saudade...
Meu coração, agora, é : "Boa tarde!"

Por um momento, penso sermos dissonantes
Mas, antes do lamento, o bom senso de esquecer...
Meu coração proclama : "Bom entardecer!"

Um coração que persiste até o: "Boa noite!"
Prova que existe, em cada canto, uma canção de amor
E, em cada um, a nova sinfonia de um compositor...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Águas

Chove no meu rosto. Água salgada
Do mar, que dói. Dor doce no meu peito...
Corre na pele um rio, um fio d'água
Triste, sereno... Amor que não tem jeito.

Toda essa água que me inunda o rosto
Reflete a chuva, que molha minha terra.
Ouço o barulho, mergulho no desgosto
A água cessa, a esperança encerra...

Na minha face, agora seca e quente
Só arde o fim do amor, tão mal amado
E o que foi, outrora, chama ardente
Hoje é deserto, é sertão solitário e desolado.

domingo, 2 de maio de 2010

Leia-me...

Quando você me lê, você me vê...
Vê meu sorriso no seu beijo
Vê meu calor na sua chama
Vê seu suor no meu desejo
Vê seu prazer na minha cama...

Quando você me vê, você me lê...
Lê meu verso na sua mente
Lê meu poema no seu tom
Lê seu tremor na minha frente
Lê seu gemido no meu som...

Quando você me lê e me vê, crê...
Crê no meu carinho no seu rosto
Crê no meu destino no seu passo
Crê no seu tempero no meu gosto
Crê no seu lugar no meu abraço...

sábado, 1 de maio de 2010

Até...

Até... Quando?
Até sempre, até nunca, até breve
Até eu esquecer (se eu conseguir)
Até sua lembrança sumir (se isso acontecer)
Eu disse até, em vez de adeus. Será por quê?
Por que não quis o fim que me oferecia?
Por que não quis me ver assim, vazia?
Por que dói você sem mim, sem minha companhia?

Juro que não sei onde acaba o meu até...
Se para longe, perto de você, ou ao seu lado, qualquer dia
Ele ficou no ar, solto, perdido, indefinido
À espera de encontrar você em algum canto da cidade
E poder se transformar em "Oi! Quanta saudade!"

Quando é que você vai completar o meu até?
Eu aguardo até lá,
até logo,
até já!...