domingo, 21 de novembro de 2010

Seu olhar

Seu olhar
Portal de luz que eu atravesso, e vejo o mar...
O mar escuro, que seduz a viajante incerta,
Que afoga o meu desejo e me aperta em sua onda azul,
Devora o meu silêncio e morde a minha boca no seu beijo...

Seu olhar
Maçã com mel que eu provo, e me vicio...
Um rio fundo, que puxa a presa como um ímã,
Que me exila do meu mundo e, de manhã, me afaga o rosto,
Deixa o meu medo exposto e corta o meu cabelo em sua adaga...

Seu olhar
Veneno doce que eu bebo, e morro calma...
A alma gêmea, que comigo se parece e me odeia,
Que norteia a minha vida e me derruba em sua cama,
Dorme ao meu lado e leva a minha dor na sua ida...

Seu olhar...
Lua cheia que me assombra, e me fascina...
A alva estrela que, de tão luminosa, me agride,
Que domina o meu pavor e me carrega, à meia-noite, pelo vento,
Divide o meu momento, e espalha a minha voz no seu lençol...

Seu olhar...
Caminho longo que eu sigo, e chego ao céu...
Papel crepom, que envolve o meu prazer em um abraço,
Que esconde o meu pranto e tira o meu batom no seu sorriso,
Desfaz o meu cansaço e cala o meu canto em seu amor...

domingo, 14 de novembro de 2010

Renascer

Findou-se um ciclo... E brilha nova aurora
Que traz em si candura de criança.
Pura harmonia, luz de esperança
Brotam em paz, neste meu peito, agora...

Ficam-se os erros para trás... Passados
São os atalhos turvos do caminho.
As cicatrizes, marcas vis do espinho,
Lembram tormentos, hoje superados...

Sigo adiante. Minha fronte altiva
Embora mostre, ainda, alguma dor
Já não é mais, da mágoa, alma cativa...

Voo outra vez... E, livre do rancor,
Sinto pulsar a magia de estar viva
E deixo entrar, sem medo, um novo amor...

Cinco sentidos

A minha pele se ressente da ausência do seu toque,
Do roçar dos dedos que a provoque e atormente...
Pede pelo seu calor, para aquecê-la em noite fria
Quer a carícia que arrepia antes do ato de amor...

O meu olhar se nega a perceber outro sorriso
Que não seja o seu - tão claro e tão preciso que me cega...
Busca por sua luz para iluminar o meu semblante
Quer o instante em que o brilho dos seus olhos me seduz...

A minha boca se esquece de qualquer que seja o gosto
Que não o do seu rosto, dos seus lábios. Numa prece,
Roga por saciar a fome desesperadora que a invade
Quer que nunca seja tarde para aplacar essa sede de você, que me consome...

O meu olfato se resume a perceber seu cheiro doce
Mesmo que fosse a última vez em que sentisse seu perfume...
Indica o caminho para que eu siga seus passos
Quer seus abraços, que me envolva em seu carinho...

Os meus ouvidos se confundem com o som da sua voz:
Ora a sós, ora nós... Você enlouquece meus sentidos!
Clamo por uma palavra sua, que leve a solidão embora do meu peito
Quero o final feliz, perfeito - estar ao lado de quem amo...

sábado, 6 de novembro de 2010

Tudo

Tudo o que eu canto
É o começo e o final da história
É a esperança jogada e o pranto
É a batalha e o sabor da vitória!

Tudo o que eu falo
Eu só falo porque tenho medo
Eu só falo porque é segredo
Eu só falo porque não me calo.

Tudo o que eu digo
Tem a fé de um pobre coitado
Tem a fúria de um grande inimigo
Tem a dor de quem é mal amado...

Tudo o que eu escrevo
Vem com a força da fonte que brota
Vem com a sorte plantada no trevo
Vem com o som de uma última nota...

Tudo o que eu canto, espanto
Tudo o que eu falo, estalo
Tudo o que eu digo, ligo
Tudo o que eu escrevo, fervo...

Servidão

Miro no alvo, e a seta segue o seu destino:
Acerto o peito do menino, faço dele meu escravo.
Lavo minhas mãos no suor daquele rosto escuro
E deixo exposto o coração, prêmio que tanto cobicei...

Se a lei eu não cumpri, não é o que interessa
Mas a verdade é essa: sou dele dona e senhora!
Determino a hora em que se deita ao meu lado
E também posso mandá-lo embora, quando quero.

Assim, impero: tenho, em meus punhos, suas rédeas
Sei quando soltar, quando roçar suavemente a negra pele
Para que, cativo, sonhe. E vele, eternamente, pela dama
Que inflamou a sua chama e dominou a sua mente!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Metaforicamente...

Visto o pelo da raposa e utilizo a clara astúcia
Para seguir suas pegadas, já quase apagadas no caminho
Piso no campo do seu peito, e não há jeito de não tê-lo
Por perto, de tocar o seu cabelo, de beijá-lo a céu aberto...

No Leme, minha nau se perde entre memórias e naufrago
Divago em pensamentos, saboreio os bons momentos e o riso
Preciso da sua pele em minhas mãos, dos meus dedos no seu rosto
Tão bonito, exposto ao meu olhar, sem graça se eu o fito...

Do Ipê, agitam-se as folhas, que balançam com a brisa
Dançam em volta de você, e o enlaçam num abraço
Enraízo-me no espaço ao redor deste rochedo, tão seguro
E sereno, percebendo, logo cedo, que você ainda é o MEU pequeno...

Sem escrever

Sem escrever
Fica a pergunta sem resposta, o adeus sem dor,
O beijo sem calor, o jogo sem aposta,
O fogo sem arder, o eu sem você...

Sem escrever
Não sei dizer o que preciso, o que é tão claro e tão conciso na palavra!
Como o olhar feliz daquele que nos é tão caro,
Como o suor que escorre daquele que lavra o nosso raro pão,
Como o calar doído daquele coração, em que reparo as batidas:
Silabando as despedidas,
Fraseando as idas,
Palavreando as vidas...

Sem escrever
O mundo perde o colorido, o barco perde o rumo,
A construção perde o seu prumo, o divertido perde a graça,
A massa perde a consistência, e desanda,
A razão não manda, e eu perco a consciência...

Sem escrever
Fico vazia feito sala de cinema, em plena segunda-feira,
Fico tristonha feito a lua, quando dela só se vê metade, já não está inteira,
Fico calada feito menina, que virou mulher na sua vez primeira...

Sem escrever
Quem sou eu?
O que é você?...

domingo, 24 de outubro de 2010

Nada (1º lugar - SMC/VR - 2001)

Nada...
É resposta automática, curta, clara, sem graça
É abrigo, é fuga, esconderijo das verdades
É disfarce, é farsa, é fundo falso de gaveta.
_Não foi nada...
E me esconde na palavra, corta a conversa
E se esconde na palavra, nega o que sente
E nos esconde na palavra, nos camufla de nós mesmos,
Para eu não saber, não descobrir, não falar
Nada.

Eu quero é o Tudo: da sua cabeça, do seu conflito
Eu quero o mito, a dor, o rancor e a tristeza
Eu quero o todo de você! Na correnteza
Dos seus pensamentos mergulhar, e me fazer
O contrário da palavra! Ser toda, exclusivamente sua,
E me embriagar no meu Tudo, que é você!

Atlântida

Escuto os sons que vêm na bruma dos meus sonhos
Ouço a espuma do mar, que canta em vários tons
Os derradeiros, os fugidios dias, o interlúdio
Entre a guerra de nervos que me agitou o espírito, e a paz que hoje se encerra.
No fundo do oceano, onde repousa a minha alma
A solidão acalma os últimos rumores do que, um dia, foi meu mundo...
Na terra, lá em cima, o profundo pesar dos meus temores
Ficou no coração dos que já foram meus e, eternamente, o serão.
Aqueles que choraram minha perda para as águas, numa noite turbulenta
Não fazem mesmo ideia do que se passa nesta lenta e antiga profundeza!
Aqui há a pureza dos pensamentos, a cantiga das correntes,
As inocentes vidas que não guardam mais rancores, dores e mágoas.
Descanso, finalmente, em berço lúgubre e sereno
E o medo que já tive, deixei-o em algum lugar do mar acima...
Posso passar a eternidade neste clima de sossego, tão tranquilo como brisa
E respirar, para sempre, o aconchego desta marítima cidade...

sábado, 16 de outubro de 2010

És professor

Se és professor?
E o que mais serias?
Se em tanta angústia é que te findam os dias
Se cultura e arte são tuas companhias
Se de alma e caneta jorram tão belas poesias...
O que serias, se não mestre, docente?
Que descortina o saber e desafia a mente
Que ao aluno ensina e lhe sugere: "Tente!"
Que crê no cidadão que há em toda gente...
Como serias outro, se não professor?
Quando das "múmias" inertes lhe incomoda o torpor
Quando da injustiça lhe brota toda a dor
Quando da desilusão ainda lhe sobra amor...
Professor, tu o és. É tua sina e sorte!
Pois lutas pela vida onde entrevê-se a morte
Pois andas na navalha de um fino corte
Pois é cais de mudança, onde a esperança aporte.

Parabéns por seres quem és, professor!

Misturas

Quanto trabalho, quanta correria, quanto cansaço!
É mínimo o tempo para o abraço, para a alegria...
Ficamos órfãos de amigos, de instantes prazerosos junto àqueles a quem queremos bem.
Precisamos aprender o milagre da multiplicação de horas
Para dividir a vida entre o coração e o suor do nosso rosto
E deixar o sentimento exposto na dificuldade da lida.
Viver é luta intensa; imensa é a vontade de jogar tudo pro alto!
Num salto, cair de pé, sair correndo pela cidade, pela estrada,
Chegar às casas irmãs na dor, na tristeza, na beleza da poesia e na fé,
Encher de amor, transbordar na fantasia, evoluir pelas manhãs...
Que tal acender a luz da convivência da alma
E, na palma da mão, levar o carinho ao amigo pelas tintas das canetas?
As cores se misturam: pretas, amarelas, brancas, marrons...
Por que não misturarmos nossos sons, nossas palavras, nossas ideias, nossas emoções mais belas?

sábado, 2 de outubro de 2010

Minutos

O relógio marca o tempo do meu amor...
Tenho alguns minutos para olhar seu rosto!
Quem dera não ter que falar nada
Só provar seu gosto, sentir na boca o seu sabor...

O relógio marca o tempo do meu amor...
Tenho poucos minutos para ouvir o seu silêncio!
Quem dera não ter que decifrar o que não diz
Só ser feliz, unir na minha a sua cor...

O relógio marca o tempo do meu amor...
Tenho raros minutos para matar minha saudade!
Quem dera não ter motivo pra ir embora
Só fazer, desta hora, a eternidade a seu dispor...

O relógio marca o tempo do meu amor...
Tenho menos que minutos para dizer o que preciso!
Quem dera não ter que suportar a sua ausência
Só viver esta demência e, sem juízo, me queimar no seu ardor...

O relógio marca o tempo do meu amor...
Já não tenho mais minutos para conquistar você!
Quem dera não ter que ouvir o seu adeus
Só adormecer nos braços seus, e me perder de vez no seu calor...

domingo, 26 de setembro de 2010

O amor e a rosa

Como abelha, que transforma em doce mel a pétala suave
Como ave noturna, que arrepia com seu pio, seu agouro
Como ouro, que reluz na pepita, tão bonita, tão cheia de brilho
Como filho, que se apega ao seio e suga o leite, a vida daquela que o conduz.

Como lua, que enche, se renova, cresce e quase morre à míngua
Como língua que, afiada, corta qualquer palavra, qualquer segredo
Como medo, que tira o sossego e inunda a alma de escuro
Como muro, que cerca a gente, prende, esconde a face da realidade.

Como vício, que começa e não acaba, enraíza, se agarra em nossa mente
Como gente, que sucumbe a qualquer dor, até a que causou com a própria mão
Como pão, que sacia, mata a fome, se multiplica no milagre do trigo
Como amigo, que nos dá o braço, o ombro, e enxuga a lágrima que rola.

Como tudo o que existe, e que há de mais perfeito no universo
O meu amor também se pronuncia, em verso e prosa
Como uma rosa, que floresce e desabrocha no jardim que é bem cuidado
O meu amor, se bem amado, permanece inalterado dentro de mim.

domingo, 19 de setembro de 2010

Desejos

Queria poder, um dia, ver refletida a minha imagem
No fundo do seu olhar, na água rasa e limpa dos seus olhos
Ter como casa a sua íris cristalina, me espelhando em um pedaço do seu mundo.

Queria preencher, um dia, o espaço desse seu coração tão leve e solto!
E, mesmo que por um breve instante, mergulhar em sua batida
Ouvindo a vida que ecoa, no correr do sangue, em sua veia.

Queria me prender, um dia, na teia de suas ideias mais secretas
Tendo acesso aos sonhos que povoam sua mente, fervilhantes
Para entender o seu antes, o seu agora, o seu futuro.

Queria quebrar, um dia, o muro que separa duas almas
Deixando que elas corressem, calmas, livres, lado a lado
E revivessem o passado, recompondo um quadro antigo.

Queria ser, um dia, o peito amigo e o largo sorriso que eu vejo
Quem sabe, assim, você compreendesse o meu desejo evidente
De que estivesse a toda hora aqui, presente, nunca longe, sempre perto, nunca ausente...

domingo, 12 de setembro de 2010

Pra falar de você

Pra falar de você, eu falo de mim mesma...
Falo dos lados da moeda, do negativo do retrato
Falo do fato de beijar a sua boca e ser sua irmã
Falo de acordar pela manhã com seu sorriso em minha noite
Falo de riso e de água que escorre pelo rosto, vinda do olhar...
Pra falar de você, eu falo do que existe...
Falo da fruta bem madura, que eu retiro e devoro com vontade
Falo do ar que eu respiro, e tantas vezes ignoro
Falo da saudade, que deixa escura a minha alma
Falo da palma da mão, que sua, caleja e luta...
Pra falar de você, eu falo do que amo...
Falo das palavras que eu rimo, com carinho de criança esperta
Falo da alegria aberta, que eu levo como um mimo, pra quem possa querer
Falo da lembrança do meu eu no seu caminho, atravessando a sua luz
Falo de você, que me conduz sem o menor temor
Que me seduz com todo o seu calor
E que faz juz a tão sincero amor...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A vida pede passagem

E a vida passa...
Tal e qual passageira de primeira (e talvez de última) viagem
Como um bloco, uma escola de samba, ela pede passagem
Pode ser um bilhete de trem, um cartão de metrô,
Ou dinheiro amassado, suado, na mão do trocador
E a vida vai...
Ela vai e navega, se entrega
Tal e qual a mulher que se pinta, se borda, se arruma, se decota
À espera daquele qualquer que, por horas de mero capricho,
Lhe joga, à saída, uma nota
E a vida termina...
E ensina que tudo se foi, já passou, acabou, se apagou
Como vela de uma semana, que no quinto dia já não tem mais luz
Como amor, que não chega na hora marcada e pro sofrimento a gente conduz
Como tudo, que agora é nada
Como dor, que agora é prazer
Como é a certeza que sobra da vida: ela passa, se vai e termina
Depois de brilhar nos olhos de uma menina
Depois de sumir na curva de uma estrada
Depois de voar nas asas do sonho que foi embora
Deixando a saudade calada...

domingo, 29 de agosto de 2010

Flor Negra

Busco o seu olhar, mas ele mantém o ar compenetrado e sério
Cheio de encanto e de mistério, carrega consigo toda a beleza de uma raça
Passa por tantas pessoas, e leva junto a atenção que eu devia a outro alguém...
Não sei se faço bem ou mal, fica a verdade do momento:
Olho, e quanto mais repito este ato, mais exato se torna o seu desfecho...
Deixo de ouvir a história de um povo, para gravar na memória o novo rosto, o novo nome
Daquele que representa muito bem a sua cor, de uma forma tão bonita, tão perfeita, tão pura!
Viajo na sua tez escura, no sorriso a que pouco se permite,
No pensamento que emite, formulando uma pergunta sem que use sua voz...
Por que nós não ouvimos sua dúvida em alto e bom som?
Quero é ver o tom da sua pele combinado à palavra dita, falada
Numa mistura que revele a consciência, que deixe o seu segredo declarado...
Busco o seu olhar, mas ele já foi embora
E eu sei que esperarei a hora de tornar a vê-lo
Mesmo que de longe, afastada, escondida, encolhida.
A sua vida não vai se cruzar com a minha agora,
O amanhã só a Deus pertence, e chega quando eu menos perceber
Trazendo de novo para mim o seu perfil,
Que se assemelha a uma mágica flor negra!

sábado, 28 de agosto de 2010

Aposta

Eu busco na palavra o tom mais certo
Para expressar o som do meu amor (que é tão bonito...),
Para mostrar de perto o grito abafado da saudade,
Para dizer felicidade no seu corpo, do seu lado...
Eu uso a frase carregada de sentidos
Para que seus olhos e ouvidos nela possam conhecer
O doce do seu sorriso, o mel do seu abraço,
O fel da sua falta (quisera que você nunca se fosse...).
Eu faço do meu texto a minha forma mais completa
De ser direta, de dizer, límpida e clara
Que coisa rara é gostar de alguém como eu gosto
Que eu aposto a lua, a rua, a minha vida (que é tão sua...)
Na vontade de querer e, de verdade, ser querida por você...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

No deserto...

Procuro o ombro amigo, que me dê abrigo
Porque estou perdida, faminta, no meio de um deserto
Que é o meu incerto rumo, o pedaço, o escombro,
Cacos do que um dia já chamei de vida.
Sinto apagar, então, a chama que ardia
E ofuscar-se o brilho dos meus olhos, hoje fundos e tristonhos...
O medo deu lugar ao vazio que engole vários mundos
E que acaba com os sonhos, que desaba em água feito rio.
Nenhuma emoção, nenhuma dor, nada. Só silêncio e memória...
E, neste ermo local onde me encontro agora,
Não há flor, não há amor, não há pulsar do coração
Há apenas a hora, que vai passando
E levando consigo a minha história...

The fault was mine 2 (A culpa foi minha - parte 2)

Em momentos difíceis, a poesia adormece
E buscamos consolo em ombros e abraços...
Ao ressurgir o sol, a palavra floresce
E agradeço a Deus pela amizade e seus laços...
Thank you, forever!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

O antes e o depois

Antes, eu olhava você, mas nada via.
Antes, eu só cumprimentava, mas não sorria.
Hoje, eu aguardo a sua boca no meu rosto
O seu gosto no meu beijo
O seu desejo no meu sonho...
Antes, eu ouvia a sua voz, mas não havia "nós".
Antes, eu o achava engraçado, mas não me encantava o ar risonho.
Hoje, eu espero o seu abraço no meu frio
O seu espaço no meu vazio
O seu corpo no meu laço...
Antes, eu não sabia quem você era.
Hoje, quem me dera ter sempre a sua companhia!
Antes, quem poderia imaginar esse romance?
Hoje, eu só quero que ele avance, devagar, dia após dia...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Música para a alma...

Às vezes é preciso ouvir alguém cantar com o coração
Para entender que, da emoção, nasceu a melodia...
Seja de alegria, sofrimento, amor ou desencanto
Vê-se que o pranto transmutou o sentimento
Em acorde, rima, verso. E assim proporcionou
Tão bom momento, para que a mente imprima
A verdade do artista que, como nós, é gente!!!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Frágil brincadeira

Sossego, chego
Remanso, manso descanso
O pó nos cabelos, o coração nos olhos
A alma na boca, o sorriso no céu
Brilho de cristal na ponta dos dedos
Que escorregam no corpo cheio de segredos
E medos
Busca profunda de alguém, que não cessa
Fim de tarde, noite, luz acesa
Espelho, velho rosto jovem e corado
Visão de ontem, passou, já é passado
A nova imagem, entre janelas e cortina
Olhando o ar, o mar, a areia cristalina
Sopra um segredo, volta os olhos, chama
Pelo corpo jovem, novo, e reclama
O prazer, a dor, a vida, o aconchego
O sentido de fazer de tudo
Frágil brincadeira
Pra entender, amar, viver a vida
Inteira!...

domingo, 1 de agosto de 2010

Múltiplos

O meu amor
Nosso, seu, não sei,
Aconteceu. À flor da
Pele, a cor da pele,
Acordou o beijo, o desejo. O som
Ecoou pelo espaço, o tom de luz,
De sol maior, clareou aqueles corpos
Nus. Brilhou a estrela de grandeza
Duvidosa, e tão fatal naquele abraço,
Naquele laço apertado! Lado a lado,
Roupa largada, a cama macia
De pele dourada. A água morna
Que bate, entorna a esperança
De prazer, de ter, de fazer
Amor com você. Outra vez,
Em mim, assim...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Rastros

Ele chegou, sabia, ia ficar
Deixei-o entrar, encorajei a busca
Deixei-o achar meu coração, escondi a chave
Mas ele, sutil e calmamente,
A encontrou. Abriu, invadiu o espaço
E saiu, por fim, deixando um rubro rastro.
Não posso segui-lo, nem persegui-lo
Mas aquilo que ficou
Lá dentro, bem no fundo
Foi novamente fechado, aprisionado
Pois a chave, agora, já não me pertence...
Quando saiu, além dos seus vestígios,
Deixou trancado, de vez, com seus caprichos
Um coração, amor em forma de sementes...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ao amanhecer...

Saudade
Vontade de fazer tudo de novo,
De trazer felicidade em teu sorriso
Para abrandar este meu peito
Porque eu preciso é do teu jeito junto a mim,
É do teu beijo, assim, gostoso, na minha boca,
Dessa coisa nossa, louca, desse nosso poço de desejo...
Saudade
Vontade de viver tudo de novo:
A emoção de te esperar, e te ver chegar
Olhar a hora e saber que vou te ter tão perto
Já que é certo o teu perfume no meu ar...
E aí eu te respiro, e tiro qualquer medo da cabeça
Bem cedo acordo, pra te ver ao meu lado e ouvir teu sono
Reconhecendo, mais uma vez, o dono do meu segredo
Bem guardado em tua tez, em tua linda cor de sol nascendo...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Triste

Sinto a tristeza que ronda, escuta, espreita
Que procura a brecha, a greta, qualquer espaço
Pra me invadir, pra me fazer chorar
Não me deixar sorrir, só me deixar calar...
Eu tento, grito, fujo, mas volto ao começo
Minha garganta arde, tem sede, eu enfraqueço.
Respiro fundo, e fundo aperta o peito
E vem aquela sensação de que não há jeito, não há saída...
Dói a ferida velha, exposta, posta à prova
Machuca a vida, revive a antiga dor tão nova!
Não há desespero ou descontrole, só espero
Que mais uma vez a lágrima brote do meu rosto já cansado
De prantear os pesadelos, de velar os mortos,
De conversar com os fantasmas, de ouvi-los e vê-los...
Suo frio e quente, o coração já não suporta
A amargura em sua porta, querendo entrar de volta.
Ouço a primeira nota de uma calma sinfonia
E, no seu lúgubre compasso, passo a limpo a minha alma...

domingo, 25 de julho de 2010

Perdas e Danos

Sinto que o perdi, e para sempre...
Desfiz o laço, neguei o abraço. Me garanti?
Por que, então, a sensação de que eu minto
De que não posso - ou não quis - mais ser feliz?
Ao dar as costas pra você, fugi de mim
E do espelho, que me refletia em seu olhar...
Vi meu rosto, tão vermelho, todo exposto neste fim
Que dei - por medo, por insensatez, por covardia...
Agora o dia passa, a tarde escoa, é a vez da noite
E me atordoa a agonia, me arde o peito!
Sei que não há jeito, que a decisão já foi tomada;
Mas não houve solução real pra nada, e o que está feito
É a realidade que, de hoje em diante, me sufoca
É a lágrima que toca, devagar, o meu semblante
É a felicidade que exilei, distante, em algum lugar...

sábado, 24 de julho de 2010

Palavras do Mestre

E, questionado que foi sobre o Amor, disse o Mestre aos ouvintes:
"Ouçam com atenção as seguintes palavras mas, de antemão,
Já digo que um coração não bate igual em todas as gentes
E que cada batida compõe diferentes hinos, com instrumentos vários,
Que tocam em diversos campanários, e por quem dobram os sinos...

Pensem nas ondas do mar, que vêm e vão nos oceanos,
E nas nuvens do céu, impelidas pelo vento, soltas no firmamento...
São belas, simples, amorosas, Divinas criações que preenchem nosso olhar,
Tiram o gosto de fel das nossas vidas num momento, deixam perfume de rosas,
Abrandam, em cada movimento, nosso eterno turbilhão de emoções...

Assim, se real for o sentimento por que perguntam agora
Direi, sem demora, que é onde reside o ideal da existência, ou mais além...
Quando alguém finalmente o reconhece, diz, em tom profundo:
Sou feliz, deixei de andar perdido por esse mundo, a esmo
Encontrei, no ser amado, a melhor parte de mim mesmo..."

The fault was mine... (A culpa foi minha...)

Queridos amigos, sei que estou em falta
Por ficar tanto tempo em silêncio e "offline"...
Volto agora, com mais poesia em pauta,
So sorry... The fault was mine...

sábado, 10 de julho de 2010

Para meu sobrinho...

Bênção divina! Foi enviado à Terra
Rosto de anjo, iluminado, encerra
Um sonho especial... Transborda a alegria
No sorriso de cada um, que já prevê
O grande homem que você se tornará um dia!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Maroto, garoto... (Copa de 98)

Garoto de trinta
Que pinta, que deita
E rola na minha
Calma... Que agita,
Que grita o gol
Com a alma...
Que encosta a parede
Do peito em mim
Que atiça, que acende
Um calor sem fim...

Maroto, maduro
Que ri um sorriso
Que é beijo puro!
Ataca, e o lance
É desejo... Eu juro
Que vou. Se você quiser,
Eu quero... Essas mãos
Na nuca, esse arrepio
Frio. E eu? Maluca
Com o fogo seu...

domingo, 4 de julho de 2010

Meu algoz

Viajante da minha boca
Porto do meu sorriso
Cais do meu corpo, do meu barco
Flecha que retesa o meu arco...
Algoz da minha vida! Corda, piso em falso
E balanço na forca, na força do seu abraço
Apertado! Massagista oriental, me orientando:
Bússola, astrolábio, estrela-guia, Ursa Maior
Me levando no sentido norte-sul,
Azul, anil, meu céu de abril...
Vingança, pela borda do meu prato, fria
Eu a tomo, me satisfaço.
Laço de alçapão, minha armadilha,
Caçador que me seduz e eu, a mariposa, a caça,
Corro até você, para a luz, que me enlaça,
Amarra,
Ata,
Queima,
Mata...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Reminiscências

Findou-se o encanto...
Quebrou-se a última taça de cristal, e o champanhe
Como que irado pela fatal perda, borbulhou...
Desfez-se o mito...
Queimou-se a última carta de amor, e a flama
Como que animada pelo velho papel, reacendeu...
Rompeu-se a mágica...
Esqueceu-se da última nota da canção, e o instrumento
Como que calado pela súbita falta, silenciou...
Rasgou-se o véu...
Ressecou-se a última pétala da rosa, e a flor
Como que magoada pela água ausente, murchou...
Descortinou-se o mistério...
Emudeceu-se a última palavra de carinho, e o amante
Como que perdido pela fria noite, chorou...
Abriu-se o laço...
Perdeu-se o último beijo de calor, e a metade
Como que desfeita pelo feio corte, feneceu...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Resgate

Resgatando o tempo em que eu via o seu sorriso
Brilhando, enquanto a mão tão levemente me tocava...
Assisto a cena e, como num filme velho de cinema,
Me emociono novamente, e lá se vai o meu juízo!
Resgatando o tempo em que meu corpo o chamava
E vinha a sua alma responder ao meu apelo...
Só de vê-lo, corria o coração ao seu encontro
E, no escuro dos seus olhos, fascinada, eu mergulhava!
Resgatando o tempo em que a chama se acendia
Ao menor toque, deixando quente o corpo, que era um só...
Nos amarrando, pele a pele, num nó de velho marinheiro
Unindo o cheiro, o cabelo, a sombra, na madrugada fria.
Resgatando o tempo em que não havia tanta dor
E a felicidade se estampava, feito um cartão de visitante.
Diante de mim, apenas seu sorriso era o caminho
Onde eu faria um ninho, e repousaria eternamente o meu amor...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Esperança

Vai, Brasil!
Nesse céu de anil
Brilha mais que o sol
Mostra o futebol
Com a bola no pé
Que bonito é
Ver você ganhar
Mais um no placar
O meu coração
Grita "Campeão!"
Espera esta vez
Festejar o seis
Sou verde e amarelo
Da corrente, um elo
Torcida da raça
Pede pela taça
Brilha até o final
Deste Mundial
Pra dizer de novo
Deu Brasil, meu povo!!!


domingo, 27 de junho de 2010

O que somos? (2º lugar - SMC/VR - 2000)

Você é...
Meu fora do sério, meu riso notório
Meu cair da tarde, minha madrugada
Meu retrato velho, minha chama que arde
Meu suado espólio, minha alma cansada.

Eu sou...
Sua amiga ouvinte, seu ombro disponível
Seu beijo mais quente, sua face dura
Sua afronta e acinte, sua mão tão rente
Seu nervo sensível, sua boca madura.

Nós somos...
Nossas muitas horas, nossos desvarios
Nossos sonhos loucos, nossos descaminhos
Nossas próprias escoras, nossos gritos roucos
Nossos mares bravios, nossos redemoinhos...

terça-feira, 22 de junho de 2010

O segredo da gente

Se um dia você conseguir repartir
Todo o peso que leva sozinho, a dúvida, o medo
Pode contar comigo. O segredo da gente
Vai ser misturar a pele quente e o ombro amigo.
Se um dia você conseguir permitir
Que eu escolha sofrer com você a tristeza e as dores do mundo
Vou estar sempre perto. O mistério - que é nosso -
Vai ser encarar o fundo do poço e as cores da vida.
Se um dia você conseguir descobrir
O sentido de estar aqui, neste lugar, em viva voz
Ficarei mais em paz. A surpresa de nós
Vai ser combinar tudo mais que vier com aquilo que já é certeza.

domingo, 20 de junho de 2010

O que eu sei

Se amei, não sei...
Só sei que agora o seu olhar
É chama impossível de apagar
É água que invade o meu cais
É um corpo querendo o outro, mais...

Se amei, não sei...
Só sei que você entrou em mim
Com pele macia, de cetim
Com olhos vidrados de paixão
Com mãos entrelaçadas na explosão...

Se amei, não sei...
Só sei que me sinto mais feliz
Por ter encontrado o que eu quis
Por ver que você me viu também
Por ser o seu par, por ser seu bem...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Frio

O frio me gela a alma, me tira o brilho
Me faz parar a vida, enquanto o mundo gira
Me traz dormência até a ponta dos dedos
Me esconde até dos que eu tenho em alta conta...
O frio me afasta de tudo, até de mim
Me encolhe num vazio, me esgota a mente
Me disfarça em outro ser, que ninguém nota
Me apaga e eu hiberno, sem adormecer,
Até a Primavera encerrar mais um inverno...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Summer Dream

I opened my draw, in a shining morning
And your face I saw, like a bright sun...
When you looked me, with your lips smiling
Oh, so cruel doubt: kiss you or run?

I didn't know your words, I didn't know your voice
But I wanted your body near of my hands
So, a great light and a lover's noise
And we went, together, to distant lands...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pátria de chuteiras...

Brasil
Calce as chuteiras com cuidado
Hoje é quase feriado nacional
E o meu coração já não aguenta...
Somos penta, mas queremos mais!
Traz nossa sorte na ponta do pé
Dança seu balé e dribla o beque
Põe em xeque qualquer opinião
Manda ver, seleção!!!
Brasil
Beija o lindo escudo auriverde
Mata a sede dessa gente boa
De presente, taça na bagagem
Na viagem de volta à Mãe Gentil
Pátria Amada, BRASIL!!!




segunda-feira, 14 de junho de 2010

(Re) Caída

Meu Deus, como você ainda me perturba!
E eu, tola, pensando que o coração tinha esquecido
Que eu havia banido o seu sorriso da minha vida
Que essa paixão bandida já havia se perdido...

Meu Deus, como você ainda me enlouquece!
E eu, ingênua, pensando que seu corpo não me aquece mais
Que eu alcancei a paz que a minha alma merece
Que o seu cheiro não invadiria outra vez a minha calma...

Meu Deus, como você ainda me sufoca!
E eu, atônita, compreendo que o seu olhar macio é que me guia
Que eu sonho com sua pele quente, que me toca
Que eu quero você pra mim a cada hora do meu dia...

domingo, 13 de junho de 2010

Devaneio

A tua falta dói na minha carne:
É vermelha, sinal de alerta no meu peito!
Desfeito o sonho de ser teu par a vida inteira
Contemplo, triste, a barreira que ergueste em teu olhar...
O meu sorriso, tão vazio, te relembra:
Foge a alma do meu corpo, e eu viajo nesse rio
De passado. Enquanto isso, o silêncio me acalma
E vejo, nítido, o teu corpo ao meu lado...
Maravilhosamente rara é a delícia que eu provo,
Porque ainda sinto o teu gosto em minha mente.
Posto que, se o amor negar, eu minto
Vou navegar, então, na embriaguez deste torpor...

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados

Namorar... O amor no ar...
Amar a mesma cor, a mesma flor, a mesma dor, doar...
Na mor arte de fazer, do amor, o ar de respirar...
Morar na história de outro ser, e em outra vida ver a sua entrar, se misturar, se demorar...
Amar na morte, na sorte, no sul e no norte, tudo é o mesmo amar...
Na morada secreta que há no fundo de cada peito, de todo jeito há jeito de se dar...
Amora doce, de vez, a sua tez, por quem esqueço as leis, só obedeço ao seu olhar...
Orar no amor, no calor, na hora de partir, na hora de voltar...
É amor, é amar,
É vontade, sem idade, de ver felicidade e, de verdade,
Namorar...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Invisível

Você escreve, lê... E nem me vê.
Por quê?
Eu vou passando assim, despercebida,
A minha ida não lhe diz nada
E cada momento da minha vida
Passa junto comigo, dessa forma calada, dolorida...
Não sei se há saudade, se há felicidade.
Sei do prazer de tocar seu corpo, de deitar no seu peito
Sei do jeito de amar você de madrugada, a qualquer hora
E da dor de ver o seu olhar vazio indo embora...
Você olha para a tv... E nem me vê.
Por quê?
Eu vou ficando assim, perdida,
Não sei se beijo a sua pele bem morena
Ou se engulo o meu desejo, e deixo a cena sem ruído
Levando o meu amor proibido para além da sua chama
Antes que eu me deite novamente em sua cama e, com ardor,
Me permita alguns instantes breves de alegria
Para depois, sozinha, viver a agonia de não saber o meu real valor...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Primeiro baile

Adivinhei o verde dos seus olhos, me deparei com eles
Meu sorriso amarelo ficando, o rubor me invadindo
Baixei a cabeça, a face, vermelha romã...
Tornei a buscar esses verdes, que já não me olhavam nos olhos
Mas sim mergulhavam
Na profundidade, no contorno, na seda do meu decote...
Queimava, o corpo suava, tremia
As mãos arredias, ariscas, brincavam sem jeito, esfriavam
E, então, a música...
Ao longe, mais perto, o aceno, incerto convite
Enlaçando a cintura e as mãos, os braços, os olhos baixos
Um murmúrio, palavras, tolices, perguntas vãs
"Já tens quantas primaveras?" Penso nos amanhãs...
Seguindo a cadência, a malemolência
Do ritmo, do corpo me embalando, abalando.
O que era dança, agora é abraço gostoso
Morno, quente, calor humano, de gente
Que, bailando, na vida, aprende a dançar
Conforme a dor, o amor, o sentimento, o momento
Conforme a música...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Solidão

Já não creio mais na linda ilusão
De que meu rosto ainda verá o teu...
Se tal desgosto assola um coração,
Cessa a batida, e o lume feneceu!

Banida foi a alma deste plano,
Levou consigo um sopro de saudade...
Restou o corpo, neste mundo insano,
Destituído de felicidade...

Casca vazia, não tenho esperança
De renascer das cinzas desta dor,
Ainda que voltasse a ser criança!

Suplico a Deus, meu Mestre e meu Senhor,
Que encerre em mim apenas a lembrança
De quando era só meu o teu amor...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Responda...

De que me servem as palavras e as frases, se não há coragem para dizê-las?
De que me servem as ideias e as memórias, se não há ninguém para absorvê-las?
De que me servem as promessas e as juras, se não há confiança em que eu vá mantê-las?
De que me servem as emoções e as sensações, se não há certeza de que irei vivê-las?
De que me servem as decisões a as atitudes, se não há compreensão para entendê-las?
De que me servem as lembranças e as histórias, se não há capacidade para esquecê-las?
De que me servem as virtudes e as esperanças, se não há sutileza para percebê-las?
De que me servem as mudanças e as transformações, se não há esforço para reconhecê-las?
De que me servem as luzes e as doces alegrias, se não há sorriso para acendê-las?
De que me servem as noites e as muitas horas, se não há vontade de olhar estrelas?

domingo, 6 de junho de 2010

Doce saudade (2º lugar - SME/VR - 2002)

Quem disse que a saudade é doce, não conhece o gosto
Salgado das lágrimas que pelo rosto correm, solitárias
Amargo das decepções que enchem a mente, várias
Acre das dores que vão no peito. Párias
São aqueles que tomam por mel este azedume
Que tira o lume dos olhares, que separa os pares,
Que escurece as cores, que adormece os amores...

Quem disse que a saudade é doce, enganou-se!
Ela dói, feito uma ferida aberta, não tem cura
Ela destrói, feito o tempo, vagaroso, na clausura
Ela corrói, feito ácido na pele, e desfigura
O sorriso que dançava no semblante
O corpo do amante, que vibrava
O sonho que, adiante, vislumbrava
A tal felicidade, a todo instante...

Quem disse que a saudade é doce, beba
Do seu próprio veneno uma taça! Só assim
Verá como o mundo torna-se pequeno
E como a vida, sem o outro, perde a graça...

sábado, 5 de junho de 2010

Seu dia

Em seu dia, lhe desejo vitórias,
Para que, ao contar suas histórias, você se lembre
Das risadas, das mancadas, das atitudes certas e erradas...
Em seu dia, lhe desejo juízo
Para que, ao buscar o que é preciso, você pense
Nas consequências, nas vivências, nas boas e más experiências...
Em seu dia, lhe desejo sorte,
Para que, ao seguir para o Norte, você reflita
Sobre o seu caminho, sobre seu ninho, sobre nunca estar sozinho...
Em seu dia, lhe desejo paz,
Para que, ao querer um pouco mais, você entenda
Quem nada tem, quem vive sem, quem perdeu seu bem...
Em seu dia, lhe desejo sucesso,
Para que, ao ser tentado pelo excesso, você lute
Contra a ambição, contra o som do não, contra ser só razão...
Em seu dia, lhe desejo felicidade,
Para que, ao contar sua idade, você possa
Deixar para trás a dor, o rancor, e colher muito amor...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cantiga de roda

Você faz e acontece no meu mundo
Vai lá no fundo e traz à tona a minha herança
Solta a criança e a mulher, a dama e a pura
Jura que me ama, e eu faço minha a sua dança...
Na cama, na rua, na memória, o seu abraço
E a minha história se confunde e se enlaça com a sua.
Passa o tempo, e infunde no meu peito o medo doce
De me perder desse seu jeito. Quem dera ainda fosse cedo...
Quimera é ser somente de um alguém. Ilusão linda
Que brota em cada coração que vive cenas de amor.
A dor, calada, é o que restou de tudo que eu tive
E o sonho, mudo, ficou tão amargo, e se acabou...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Revelação (Soneto Alexandrino II)

No começo era vinho, doce e quente:
Embalar meu amor no seu sorriso,
Beber, gota a gota, o mel ardente,
Perder completamente o juízo...

O tempo foi passando, e o que era doce
Se revelou amargo, mero fel.
A dor me perseguia aonde eu fosse,
Rasgando o coração, frágil papel...

Rôta, cambaleei pelo caminho,
Ainda tonta com a verdade dura
Plantada em minha vida como espinho!

Mas, revelar-me a sua face escura,
Me deu a chance de fazer meu ninho
Noutro lugar, de afeição mais pura...

terça-feira, 1 de junho de 2010

No olho do furacão

O sol voltou, mas as nuvens carregadas permanecem no horizonte
Num cinza que me envolve, turva minha vista, me sufoca
Toca minh'alma como um Midas ao reverso, plúmbeo, triste
Traz tempestade! E a calma não resiste, é tragada para o fundo do oceano
Onde, imerso, jaz também meu coração - insano, vítima das dores deste mundo...
Cores escuras levam minha paz num turbilhão de sentimentos:
Momentos de felicidade e de angústia se confundem, giram num vórtice sem fim...
Dentro de mim, o furacão! Rasga as entranhas, sobe à garganta,
Se agiganta à sombra da desconfiança, com a dúvida que paira...
Destroça, em seu redemoinho, a esperança de viver um grande amor, perfeito
Arruinando, no meu peito, o sonho de não ser mais tão sozinho...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O vento

Um vento frio corta minha alma rente, e me chama
A andar pela noite, a deixar minha cama, minha calma
E apreciar os sons, os sins, os sãos, os nãos
Que rolam pela madrugada adentro, e que transformam
O que, a princípio, é escuridão e frio
Em hora de cantar, de olhar, de amar...
O vento assobia o convite em meu cabelo, e o apelo
De tão galante companhia me conduz às ruas, meio nuas,
Às lembranças suas, luz errante que me guia
Entre esquinas, descaminhos, vinhos, esperanças...
Você nunca me deixa, e o vento então se queixa
De levar só meu corpo através da cidade
Porque ele sabe da verdade: em qualquer momento
Meu coração só a você pertence e, se meu corpo não for suficiente,
Ele que não tente roubar do dono o meu espírito, agora nosso.
Eu posso permitir que ele leve a matéria que há em mim por toda a Terra
Mas a guerra ele não vence: em minha mente fica, etérea, a sua imagem, até o fim...

domingo, 30 de maio de 2010

Domingos

Domingos vêm e vão, nessa sequência,
Trazendo início e fim, e a experiência
De (re)começar a vida de incertezas,
De trabalho, de rotina, de fraquezas...

Aos domingos, antecipa-se a fadiga
Da semana. Mas é ela quem abriga
As surpresas do que ainda está por vir,
As belezas de ficar e de partir...

Bendito seja o domingo, que anuncia
A hora de tomar as rédeas do destino
E fazer diferente da monotonia!

Deixo que o adulto volte a ser menino
E aproveito bem cada hora do meu dia
Para fazer real o sonho que imagino...

sábado, 29 de maio de 2010

A Pena e o Nanquim - Um soneto alexandrino (2º lugar - SMC/VR / Menção Honrosa em Amora - Portugal)

Mergulho em tua alma, doce tinta escura,
E, com um nanquim de rica essência, te traço.
Na imagem, veo a cor que à tela se mistura:
Da tinta, imortal retrato teu eu faço.

Imito a pena, fina e ágil companheira,
Que desenha a face do objeto de desejo,
Escreve em poesia a afeição primeira,
Registra a emoção daquele último beijo...

Unidos pela arte, a pena e o nanquim
Deixam marcada no papel tua lembrança,
Pedaço de um amor que julgo não ter fim.

Guardo junto a ti, na moldura, a esperança
De um dia o teu sorriso abrir-se para mim
E me embalar, então, nessa ilusão tão mansa!...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Vida

Tão breve é a vida. Se a mesma fosse leve
Seria como suspiro doce, pétala branca, ar que respiro...
Mas ela nos pesa, e seu peso é fardo para todo aquele que por ela passa
Que amassa e assa a massa colorida que chamamos de vida
E que faça, assim, de uma disforme confusão de fatos e criações
Uma obra de arte, estandarte da paixão, das emoções, dos loucos e sábios atos...
E é esse mesmo homem que carrega nos ombros a responsabilidade de sua existência
Que assume sua carência, e se entrega
Que transforma sua verdade, e assim chega ao cume
É esse homem que nos mostra ser a vida um dom recebido apenas por aquele que merece
Aquele que tece com seus fios o destino que almeja
Aquele que cresce com seus feitos para alcançar tudo aquilo que deseja
Aquele que floresce com sua própria luz, iluminando outras vidas, onde quer que esteja...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mentiras

É mentira que eu quero você!
Para que eu vou querer um beijo quente,
um abraço forte,
um desejo louco?
Para que um sorriso envolvente,
um olhar de sorte,
um sussurro rouco?
Eu não quero você. É tudo mentira!
Eu só quero o ar que você respira
Eu só quero o fôlego que você me tira
Eu só quero o mundo em que você gira...
Você, não!
Você é presságio de solidão
é risco certo de ilusão
é perigo para o meu coração...
Mas se eu não fugir, pode ser que eu queira
Ser a sua amante, a sua companheira
Ver você por perto, a minha vida inteira
Ter seu corpo e alma, de qualquer maneira!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Meia-noite

É quase meia-noite... E tudo o que desejo é o seu abraço
É me perder nesse espaço tão macio que, sem dúvida, era meu
É buscar pelo seu beijo e preencher o meu vazio, sem medo de ser feliz
É provar o mel que eu tanto quis, e no seu mundo mergulhar...

É meia-noite... E sinto sua pele na ponta dos meus dedos
Me livro dos segredos, ouço os seus temores, fico tonta
Me deixo levar pelas lembranças dos amigos, dos amores, dos momentos
Me abandono nesse turbilhão de sentimentos, hoje raros e antigos...

É mais de meia-noite... E o sono vem se encontrar no meu cansaço
Eu durmo em paz, sabendo que o laço foi refeito
Eu sei o quão perfeito é estar, agora, do seu lado
Eu aguardo. Quem faz a hora certa é o coração...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Amigo

Amigo é coisa pra levar nos olhos, pra sonhar comigo, pra falar de vida nossa...
Amigo é coisa pra dizer saudade, pra sentir a ida, pra servir de abrigo...
Amigo é coisa pra sair da fossa, pra ouvir "Te ligo!", pra não ter idade...
Amigo é coisa pra buscar bem longe, pra hora dolorida, pra brigar (e por quem eu brigo)...
Amigo é coisa pra contar o amor, pra trazer a sorte, pra caminhar (e eu sigo)...
Amigo é coisa pra sul e pra norte, pra afirmar "Estou contigo!", pra chorar a dor...
Amigo é coisa pra se guardar no peito,
Pra me lembrar quando deito,
Pra saber o que de mim é feito,
Pra gostar de todo e qualquer jeito...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Morte

Grito, mas já não escutas minha voz...
Não existe mais "nós", e assim vais:
Sem "ais", sem "byes", e fico eu - sem paz...

Peço, mas já não sentes minha dor...
Não existe mais amor, e assim somes:
Sem nomes, sem que, outra vez, me acaricies e me domes...

Choro, mas já não notas meu assombro...
Não existe mais ombro, e assim caminhas:
Sem o que tinhas, sem poder ver as lágrimas minhas...

Morro, mas já não percebes minha ida...
Não existe mais vida, e assim voas:
Sem que em mim doas, sem que eu esqueça tantas coisas boas!...

domingo, 23 de maio de 2010

Cuida da poesia

Cuida da poesia. Na infância
Ser criança é ser cantiga, verso, rima ou prosa.
Estudiosa ou não, criança é talentosa!
Diz, na palavra escrita, a vida: a dor e o riso,
O vinho e o pão, a bola e a boneca, o céu e o chão...
Cuida da poesia. Na escola
A criança passa pro papel sua verdade
E é de responsabilidade de quem lê e corrige
Descortinar o dom, descobrir o artista novo!
Aquele que exige e que ensina a ler
Faz florescer a voz do povo no caderno do menino e da menina...
Cuida da poesia. Não esqueça
Que a frase é bênção, é desabafo em toda a idade.
Fazer poesia é deixar o coração falar, e pela mão
Registrar felicidade e mágoa no branco de uma folha
Pingar, letra por letra, feito bolha de sabão, formando a história
De um mundo mais poeta,
mais sensível, mais irmão.

sábado, 22 de maio de 2010

Castelo de Areia

Aguardo, a cada instante, o teu regresso,
A hora de deitares no meu leito...
O céu azul se ri do que eu peço
Pois sabe, antes de mim, que és imperfeito...

O dia passa, a noite segue em frente
E o teu vulto eu vejo em pensamento.
Deliro então, e a febre me faz quente
De desejo e de dor num só momento!

Mas a espera que ilude, cansa
Cai o castelo do meu coração,
Deixando em meu viver só a lembrança...

Enfrento, firme, esta revelação!
Descortinando o véu da esperança,
Voo, de asas livres, na amplidão...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Mudanças

No meu caminho, mais uma vez, o encontro
Minha tez fica branca, roxa, vermelho-maçã
Esqueço a dor que virá amanhã, com toda certeza
E só vejo o seu sorriso, luz acesa na minha noite tão escura!
Não quero, nessa hora, a verdade nua e crua
Desejo apenas ser sua, outra vez, mais uma vez
Na solidez do seu abraço afastar a solidão que me devora
E me fingir de escora pra esse corpo seu, que eu achava meu há tanto tempo atrás...
Afago os seus cabelos, seco a lágrima teimosa no seu ombro
E vejo, com assombro, que você já não é mais como era antes.
Aquele que foi, dos amantes, o fogo mais intenso
dos amigos, o companheiro mais seguro
dos namorados, o sentimento mais profundo
Hoje jaz no meu olhar tão apagado
no meu peito duro e frio
no meu mundo tão vazio...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Celebração

Celebro a vida hoje, e a cada instante
Celebro o amor nos braços do amante que escolhi
Celebro o caminho, tomando o vinho, porque venci, e a vitória é doce
Celebro a glória de recomeçar tudo, mais uma vez...
Celebro a sua pele, a sua tez, o seu sorriso, que o céu me trouxe
Celebro a festa que é ter você, que me é preciso, que eu amo tanto...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Viagens

Vento na janela, no cabelo, no ouvido assobiando...
Ela, com saudade, de cidade em cidade vai passando
E, olhando da janela, a vida que corre, que escorre
Entre o tempo e o vento das cidades,
Ela enxerga as verdades, à distância
No verde que cresce rente à janela,
Na água que reflete o sol pela janela,
Na luz que embaralha a vista da janela.
Sozinha, ela (o vento que assobia)
Vai descobrindo na paisagem quente
A canção corrente do vento, saudosa e fria,
Tão igual ao coração dela, alma vazia...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Insone

Semidesperta, vazia, oca de vontades ou anseios
Transito na confusão de minha mente entorpecida.
O sono, agora inimigo, tira-me lentamente a vida
Que antes pulsava, perdida em doces devaneios...

As horas passam... Recordo, cena a cena, a despedida
Sem lágrimas, sem adeus. Invadem-me suores e receios.
Palpita, descompassado, o coração! Mas não há meios
De abrandar as dores, de serenar a minha alma ressentida.

Longe de mim a ilusão de acreditar em galanteios!
Desejo só apaziguar a turbulência pela qual fui invadida,
Cuidar de minha essência, e encontrar nos amigos meus esteios...

Assim, ao recuperar a imagem do espelho onde me vejo distorcida,
Poderei, novamente, entregar-me à sedução dos olhares mais alheios
Brindando à nova chance de ser feliz, que a mim foi concedida!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Noite (I)

A noite cai...
E com ela vão ruindo todos os castelos meus,
Que construí de sonhos, de nuvens, de esperanças
Que edifiquei por tanto tempo em cima de lembranças
De tudo o que vivemos até dizer adeus...
A noite vem...
E com ela vão chegando todos os fantasmas ao meu lado,
Que esperam que eu me entregue à loucura, ao desespero
Que eu desista de buscar uma forma nova, pura
De ser feliz, depois de tudo, depois de tanto ter amado...
A noite chega...
E com ela vão aparecendo estrelas na linha do horizonte,
Que lá sempre estiveram, mesmo quando eu não as via
Que agora são minha companhia, e que me mostram o caminho
De viver, intensamente, a procura pela alegria dessa vida,
Que é água fresca e fria, que brota de uma fonte escondida...

domingo, 16 de maio de 2010

Quem vai saber? (Tributo ao seu aniversário)

Quem vai saber das poesias,
Das noites (cheias ou vazias),
Das tristezas, das poucas alegrias?
Quem vai saber da indecisão,
Da dor que chega e rasga o coração,
Da dúvida: agora é sim ou não?
Quem vai saber do medo,
Do tão bem guardado segredo,
Dos males que vieram tão cedo?
Quem vai saber do amor,
Daquele que acende o calor,
De cada som, de cada tom da cor?
Quem vai saber de tudo isso é o amigo,
É quem conforta e oferece abrigo,
É alguém nunca ausente, que está sempre comigo,
É de quem eu falo agora, por quem eu brigo,
É "Feliz aniversário!" que nesta hora eu digo...

(Para Maria Inês, em 05/04/94)

sábado, 15 de maio de 2010

Tempo Perdido

Frio da noite, envolve num abraço
Meu corpo, já cansado da batalha...
Água morna, toalha, laço no roupão
O torpor me invade, o sono vem, pesado...

Madrugada de sonhos, sejam bons ou não,
Cérebro ligado, (in)consciência alerta
Desperta a mente, quando a experiência
Chega ao limite, inevitavelmente...

Minutos se passam, ponteiros avançam
Pela trilha infinita do tempo, que segue...
E, embora eu carregue uma dúvida atroz,
Ouço a voz, na manhã, que me grita: "É hora!"

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Seu Legado (2º lugar - SESC/BM - 1997)

Sua língua afiada é que me corta
Seu olhar tão gelado é que me espreita
Sua boca maldita é que me nota
Sua mão caçadora é que me deita
No seu colo é que eu durmo a noite inteira
Na sua pele é que eu suo e me sacio
No seu pêlo é que eu vago, feito em rio
No seu braço é que eu faço minha esteira
Minha voz só responde ao seu chamado
Minha fé só acredita em sua crença
Minha cura só espera a sua doença
Meu poema só resume o seu legado
Nesta casa vive a dor que me consome
Neste verso canta o dom da poesia
Nesta vida vai-se embora a alegria
Nesta estrada foge o vulto do meu homem...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cartas marcadas

Cartas na mesa, espalhadas...
Em cada naipe, realidades se apresentam, diferentes:
Cores, valores, identidades. Marcadas
Ora pelo desejo de que uma delas apareça, como que por encanto
E salve o nosso jogo, já entregue, já perdido;
Ora querendo que se escondam pelas pilhas
Sem que a vitória chegue a quem menos desejamos,
Apagando o fogo, trazendo o pranto do vencido...

Figuras nobres: reis, damas e valetes
Circulam pelas mãos dos jogadores, como o sangue em suas veias
Sejam eles pobres, ricos, velhos, novos, feios ou bonitos.
Não há regras no prazer do carteado. Apenas meios
De ganhar, de chegar ao fim com um sorriso vencedor no rosto
Provando o gosto doce de ser o melhor por um instante,
Esquecendo o amargor da vida em uma carta, que lhe trouxe
A glória inesperada, o sonho adormecido, a vontade de ir avante
Alcançando, assim, a estrela desejada...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Coragem

Confie na água do fundo do poço
Aguarde a luz que vem no fim do túnel escuro
Espere o vento que sopra a nuvem de chuva para longe
E que vai dissipar tormentas e tempestades
Busque entender o que dizem os espinhos das flores
Saiba escolher, entre as setas da encruzilhada, o caminho melhor a seguir
Deixe que a calma tome as rédeas dos seus atos
Prossiga na trilha da mata fechada, há uma clareira à frente
Não chore, não lamente, não se desespere
A vida é um dom, mas também uma prova
E só são vencedores aqueles que portam a fé como seu estandarte
Aqueles que crêem na paz, na arte, na esperança nova...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Teu Retrato

A luz espoca; o brilho então clareia
Os olhos e a tez do meu amado.
Meu coração, neste momento, anseia
Por ver o teu sorriso eternizado...

Queria que o filme me mostrasse
Mistérios que não pude desvendar.
Mesmo estando contigo, face a face,
Vislumbro um segredo em teu olhar...

Da sala escura, surge o teu retrato
- cópia perfeita do teu lindo rosto -
E te amar já não é sonho: é fato!

Provo, feliz, do sentimento, o gosto
E o teu amor descubro neste ato,
Nitidamente revelado e exposto!...

domingo, 9 de maio de 2010

Mãe

Dedicação, do modo mais profundo,
A quem trouxe ao mundo, com sublime amor...
Inspiração para toda a poesia
Luz do meu dia, bálsamo na dor...
Vida de espinhos, rosas e esperança
A cuidar da criança, mesmo quando mulher...

Abraçando-a hoje, sentimentos emersos
Mostro neste "De versos", de tão bons momentos...
Orgulho-me de sua raiz em meu coração
Rogo a Deus pelo seu caminhar, tão feliz...