sábado, 27 de junho de 2015

Nem me fale... (3º lugar - Concurso de Poesias do Clube dos Funcionários - 2015)

Nem me fale...

Nem me fale...
Nem me lembre dos abraços, porque seus braços não estão ao meu redor
Nem me diga da saudade, porque, a cada dia, ela é maior
Nem me escreva dos momentos, porque aqueles sei de cor...

Nem me fale...
Nem me convide a viajar tocando as nuvens com você
Nem me leve pelo ar, mostrando o mundo que de lá se vê
Nem me deixe atordoar pela palavra ousada que me dê...

Nem me fale...
Nem me enlace outra vez com o corpo em que eu amanheci
Nem me beije a tez com o carinho que eu reconheci
Nem me faça o que já fez, com o toque pelo qual enlouqueci...

Nem me fale...
Porque falar não me protege da memória
Porque falar não reescreve nossa história
Porque falar não faz vencer a luta inglória
Que se trava no meu peito, porque o que eu quero...

Nem me fale.

Papel em branco (5º lugar - Concurso de Poesias do Clube dos Funcionários - 2015)

Papel em branco


De rubra tinta, pinta o amor perfeito
No ton sur ton, descobre-se em meu leito
Tinge, em meu peito, a bela cor carmim.

Revela seu sabor, em nuances sutis
E emoldura, a expor romances gris,
Já desbotados, neste quadro, enfim...

Mistura, em tela, beijos sem razão
E, na aquarela do seu coração,
Corre o pincel, a desenhar o fim.

Assim, a solidão é o branco mais cruel
Pois se não há arco-íris neste céu

Virgem papel, o que será de mim?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Grilhões desfeitos...

Irriquieto, meu pensamento foge, travesso, porta afora
Não tolera o lento passar da hora e voa pelo vento...
Ignora a chave, que tranca o corpo e o limita a uma sala
Pois minh'alma é infinita e não cala, para ela não há trave.

O horizonte surge à frente, banhado em cores e matizes
Esqueço os dissabores e, com olhos felizes, ergo a fronte!
Um suspiro escapa do meu peito, há pouco restrito e encarcerado
Agora, liberado das amarras, corta o espaço e dança, num giro tão bonito...

É tanta luz que cega!  É tanta liberdade que inebria!
Minha ousadia, embriagada, expõe desejos, mostra meus sonhos quase nus...
Fisicamente, inda me encontro aprisionada num torpor que imobiliza
Mas minha mente, esta desliza a céu aberto, linda e apaixonada!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Não há pressa...

Não há pressa, temos a vida - quase - inteira...
Não à pressa, sim à nossa hora, a verdadeira
Não, a pressa estraga a brincadeira...
Não apressa o tempo quem já sabe o que virá, e de que maneira...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ode à terra natal (2º lugar - "Volta Redonda-sua história,nossa história" 2005)

Pulsa, no Sudeste do Brasil, um coração de aço!
Feito, passo a passo, da labuta de cada cidadão
Que luta e traz no peito o desenho de sua própria história
Construída com glória e trabalho, sangue e empenho, guerra e paz...
Nesta terra, brasileiros semearam ideais e esperanças
Foram crianças e hoje, adultos, colhem deste chão o pão de seus herdeiros
Alimentam o futuro com lembranças, para que a nova geração
Cresça imponente, forjada em puro aço, firme à toda prova!
Nada para o rio, de curva talhada, esculpida pela força do raio
Nada para o progresso, que turva a sensatez corrompida, maculada.
O excesso de poder e mesquinhez cerra olhares de forma desastrosa,
Escrevendo dolorosa página no seio de muitos lares...
Mas, em meio à dor, a cidade, ainda assim, se inflama:
Clama por liberdade, não permite que a chama se enfraqueça!
Que floresça, na consciência de cada um, a certeza da vitória
Fixando na memória este retrato, para que não se repita a violência...
Hoje, mais que ontem, menos que amanhã, o povo se mobiliza
Avisa "que o novo sempre vem", que a fibra aurinegra não é vã...
Reúne, no Vale do Paraíba, a coragem de quem nunca desiste de sonhar
Ao desafio de se reinventar a cada dia, reconstruindo sua imagem:
Onde outrora havia apenas verde, depois cinza, existe agora uma aquarela
Colorida de esporte, cultura, saúde, educação - cenas em tela de realidade...
Volta Redonda, 58 anos de idade, solo de Coroados, Puris e Araris,
Traçando, com seus filhos dedicados, sua sorte.  Seu destino?  Ser feliz!

Tributo a Volta Redonda


“Ante a força do raio, o rio dobrou-se”
Formou-se, então, na curva de seu leito, uma cidade-esperança
Qual criança que, na tenra idade, ainda desconhece seu destino.
Cresceu ao redor das águas do Paraíba, menino azul, vadio, doce;
Rio do Sul Fluminense, cheio pelo pranto que rolou neste Sertão Bravio
Quando aqui se ouviu o último canto do guerreiro
Coroado, Puri ou Arari – o verdadeiro dono deste chão!
Seu lamento ecoou pelo vale inteiro
E, sobre a terra, a nação indígena chorou as suas mágoas...
Chegou outro homem, mais “civilizado”, escravo da guerra e da cobiça,
Plantou semente, rezou missa, colheu café, cuidou de gado.
Povoado de Santo Antônio – padroeiro de nossa gente, de nossa fé –
Lugar hospitaleiro, de muito verde, de muito céu, de clima ameno.
Tudo tão calmo, tão sereno...  De Barra Mansa era distrito
Sendo restrito o seu direito à liberdade e à mudança.
Igualdade, só em sonho?  Mas a reviravolta era iminente!
Num dia de abril, o Presidente tomou a decisão
E outra vez o grito retumbante do trovão se ouvia:
O coração de cada habitante pulsava agora com o calor do aço
E, passo a passo, surgia a maior usina do Brasil!
Nela se uniram mãos de tantos outros lugares
Para erguer andares de suor, ferro e concreto...
No correto ofício de misturar a massa, dando o melhor de si
Ficava gravado aqui o esforço desses cidadãos!
Não havia mais dependência, a liberdade era vitória garantida...
A glória vinha, sofrida.  54, dezessete de julho, em nossa história
É data de orgulho: Volta Redonda é uma cidade!
Cidade verde-esperança, da cor do uniforme dos soldados
Encarregados de cuidar da nossa terra e da nossa segurança;
Cidade de Walmir, William, Barroso e tantas outras vidas
Tolhidas em seu direito à expressão e à liberdade de ir e vir;
Cidade de quem luta pelo seu espaço, por um lugar ao sol
E ainda joga futebol, vestindo a camisa do Voltaço...
Cidade de quem é branco, negro ou amarelo; de martelo, de bigorna,
Que se torna, a cada dia, mais forte, porque forte é o seu povo!
Cidade onde o novo junto à tradição caminha, sem medo de ser feliz...
Volta Redonda, cidade do futuro, futuro do país!

sábado, 9 de junho de 2012

Etapas do Amor

O começo do Amor
Só consiste em olhar e gostar, pagar à primeira vista o preço da ilusão que já existe...
Nessa hora, nada mais importa!  Basta abrir a porta e deixar que a alegria entre, iluminada!

O meio do Amor
Arde na pele e revela os segredos, os medos, os dois lados diferentes, os bocados de sonho, a coragem, o covarde...
Nessa hora, a verdade aparece.  O que é sincero, cresce.  O que é falsidade, fenece, porque o coração rejeita a máscara, e joga a mentira pro lado de fora.

O final do Amor
É o início da amargura, daquela dor que, de tão doce, vira vício...
Nessa hora, é como ducha pura de água fria, que nos enche de mágoa e de tristeza.
É a correnteza que nos leva de volta para o mundo; é, mais uma vez, guardar no fundo do peito a revolta e a saudade.
É o brilho da estrela que não se cansa de ser guia, como o Amor, que não desiste da Esperança!